abc+

SÃO LEOPOLDO

Solidariedade pode ajudar famílias carentes a enfrentar o frio extremo

Comunidades em vulnerabilidade social precisam de auxílio para encarar as baixas temperaturas

Priscila Carvalho
Publicado em: 07/07/2025 às 16h:32
Publicidade

Os dias seguidos de frio intenso, com temperaturas e sensações térmicas negativas em várias cidades, têm trazido preocupação a quem não dispõe de tantos recursos para se proteger. Na quarta-feira (2), o Estado teve a menor temperatura do ano: a cidade de Pinheiro Machado registrou -9,1 graus Celsius; em São Leopoldo, fez 1,5 ºC, segundo a MetSul.

Publicidade

E são essas mínimas congelantes que deixam famílias apreensivas, principalmente as que vivem em situação de vulnerabilidade e residem em comunidades carentes, como na Ocupação Steigleder, por exemplo.

FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP



Casa interditada

Na comunidade do bairro Santos Dumont, em São Leopoldo, vive Franciele Fontoura de Abreu, de 27 anos, com o esposo Juliano Garcia de Brito, 30, as três filhas e um irmão, de 20 anos. Eles moravam em outro ponto da ocupação, na Rua Dom Feliciano, mas sua residência foi comprometida pela enchente de maio do ano passado e acabou interditada após laudo técnico da prefeitura. Franciele solicitou Aluguel Social, mas ainda não foi contemplada. Como perdeu seus documentos com a inundação, ela fez novos para tentar o auxílio do aluguel via administração municipal novamente.

Enquanto isso, a família se abriga numa casa emprestada pela tia de Juliano, em outra rua da ocupação. Na moradia simples, o vento entra fácil pelas frestas e o piso de concreto acaba trazendo muita umidade, fatores que intensificam o frio.

Publicidade

Fique de olho: Conjunto de obras do Semae deve resolver falta de água na Zona Norte

Mantinhas nas frestas

A preocupação do casal é com as filhas Kemely, de 9 anos, e as gêmeas Ágatha e Yasmin, de 5 anos. “Duas tem asma: uma das gêmeas e a Kemely também. Nesse frio ela se atacou bastante”, diz a mãe. No quarto das meninas, a cama das gêmeas é feita de paletes, espumas e colchões. “É muito frio aqui. Peguei umas mantinhas para colocar na parede”, conta a mãe, mostrando a medida, que serve para tapar frestas do cômodo, onde também não há roupeiro e as roupas são acomodadas em caixas.

Publicidade

Por toda casa, papelões tentam repelir a umidade. “É muito gelado para as meninas”, enfatiza Franciele que precisa da doação de cobertores, uma cama para as meninas e um roupeiro.

LEIA TAMBÉM: Moradores de São Leopoldo cobram entrega de casas mais de um ano após a enchente

Silvana está em busca de novo lar

Silvana Luisa da Silva, de 39 anos, após enfrentar uma gestação tida como gemelar e dar luz apenas à Aysla, que completa um mês na próxima segunda-feira, dia 7, busca um local mais seguro das cheias e do frio para viver com sua família, composta de 7 meninas e o marido. “Ela está com gripe e com uma secreção que faz ela ter dificuldade de respirar. Já levei no Centro Médico Capilé e nessa semana vou voltar com ela para fazer mais exames”, conta, sobre a recém-nascida.

Publicidade

A casa, na Ocupação Steigleder, é protegida de forma improvisada com lençóis pendurados nas paredes na tentativa de amenizar o impacto das baixas temperaturas. Porém, em vão. “Nós precisamos sair daqui, então fui contemplada pelo aluguel social, mas só para agosto. O secretário de Habitação disse que eu só preciso achar a casa, mas todo mundo pede caução e eu não tenho”, explica, preocupada.

O prazo apertado também é um desafio para Silvana: ela precisa encontrar um local até o dia 10 de julho. “Eu até pensei em usar o valor do bolsa família para a caução, mas eu só recebo dia 19.”, afirma.

Publicidade

*Colaborou: Amanda Krohn



Campanha do Agasalho para ajudar quem precisa

Em São Leopoldo, a Secretaria de Assistência Social (SAS) segue com a Campanha do Agasalho 2025, com o tema Desapegar é incluir. As doações podem ser entregues na sede da SAS (Rua São Joaquim, 600, Centro) ou nos pontos de coleta espalhados pela cidade, entre eles o Centro Administrativo da Prefeitura, localizado na Avenida Dom João Becker, 754, no Centro, e o Banco do Agasalho, na sala 14 do Ginásio Municipal Celso Morbach, 313, também no Centro. A secretaria reforça que os itens mais necessários são roupas de inverno, cobertores e calçados em bom estado.

Ofício para agilidade

Conforme a Prefeitura, o município realizou, até o momento, 4.976 vistorias em residências atingidas: 2.497 foram avaliadas pelos técnicos como locais que precisam de reparos ou melhorias, mas não apresentam riscos estruturais, e 2.479 foram consideradas inabitáveis e agora aguardam o aval do governo federal. Os documentos foram encaminhados dia 24 de junho, e estão sendo avaliados pelo governo federal.

Conforme a Administração Municipal, dessas, apenas 38 já tiveram seus laudos aprovados pela Defesa Civil Nacional e foram beneficiados pelo Compra Assistida 8 famílias, e reconstrução no próprio lote, 30 famílias. A Secretaria Municipal de Habitação (Semhab), enviou um ofício ao órgão solicitando que o processo seja agilizado para as residências passíveis de aprovação.

Publicidade