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SÃO LEOPOLDO

"Jogou gasolina no meu rosto": Moradora relata tentativa de feminicídio e pede ajuda para recomeçar após ex incendiar casa

Cleoni Buchebuam teve residência queimada enquanto denunciava o ex-companheiro

Priscila Carvalho
Publicado em: 11/02/2026 às 12h:53 Última atualização: 11/02/2026 às 13h:10
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“A minha vida se resumiu a isso: só lixo”. É com o pranto escorrendo pelo rosto e o olhar perdido sobre o que restou de sua residência que Cleoni Buchebuam, 52 anos, busca forças para recomeçar sua vida.

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Na madrugada da sexta-feira do dia 16 de janeiro, ela foi vítima de tentativa de feminicídio pelo ex-marido, e, enquanto registrava ocorrência na Delegacia de Polícia, teve a casa incendiada por ele.

Cleoni Buchebuam, 52 anos, sofreu tentativa de feminicídio e teve a casa incendiada pelo ex-marido



Cleoni Buchebuam, 52 anos, sofreu tentativa de feminicídio e teve a casa incendiada pelo ex-marido

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

O fato aconteceu no bairro Santa Tereza, em São Leopoldo, onde a diarista Cleoni morava desde criança. Casada legalmente há quase 35 anos, ela o ex-companheiro, 54, tiveram três filhos, de 35, 34 e 20 anos.

Segundo ela, há cerca de dois anos vinha tentando se separar do marido, que tinha sérios problemas com bebida alcoólica e era agressivo. Ele, porém, não aceitava o fim do relacionamento e nem sair da casa, onde seguia residindo junto com ela e o filho mais novo.

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Primeira tentativa

Há quase um ano, Cleoni sofreu a primeira tentativa de feminicídio: o ex-marido chegou alcoolizado em casa e tentou asfixiar a diarista. Ela conseguiu se desvencilhar dele, mas passou a noite sob tortura psicológica e ameaças. “Ele fez eu jurar que não ia denunciar”, relata, destacando que o agressor pediu até o fim do ano passado para sair de casa.

Durante esse tempo, entretanto, o ex-marido se tornou ainda mais obsessivo, levando e buscando Cleoni do trabalho e pagando pessoas para lhe vigiarem, sem contar as discussões. “Ninguém sabe o quanto era difícil viver com ele desse jeito. Mesmo a gente estando separado, ele seguia nessa obsessão toda. A gente não brigava na frente dos amigos, mas eu vivia com medo dele. As pessoas diziam pra ele ir embora, mas ele não ia.”

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Foto: Grupo Sinos

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Ex-marido chegou a jogar gasolina em Cleoni

No início deste ano, Cleoni exigiu que ele saísse de casa e resolveu que iniciaria o processo legal de separação, mas ele novamente não aceitou. Alguns dias depois, ocorreu a segunda tentativa de feminicídio contra ela.

“Saí do trabalho, fui fazer compras no Centro e jantei por lá. Quando cheguei em casa, ele não estava e eu fui dormir. Acordei com ele jogando gasolina nos meus pés. Quando eu senti o cheiro, dei um pulo da cama e gritei pro meu filho. Quando gritei, ele jogou gasolina no meu rosto e me mandou calar a boca. Gritei novamente e meu filho conseguiu tirar o isqueiro da mão dele”, detalha, muito emocionada.

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O filho chamou a polícia e a irmã mais velha. O pai saiu de casa. Enquanto Cleoni denunciava o caso na Delegacia de Polícia, porém, o ex-companheiro voltou à residência e ateou fogo no imóvel.

Ela só soube do crime na manhã seguinte, quando foi levada para a casa de familiares. “Desmoronei”, conta, muito emocionada, mostrando que sobrou da casa: apenas as paredes de alvenaria, bastante comprometidas, e grandes pilhas de entulhos queimados.

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“Só lixo e escombros”

“Só saí com a roupa do corpo, a única coisa que sobrou foi o fogão a lenha e as panelas de ferro. Tinha uma TV grande, que recém tinha terminado de pagar, uma geladeira nova, fogão de indução e panelas que tinha acabado de pagar”, lembra.

“Eu tinha tudo novo. Do jeitinho que eu queria. Não sobrou nada, só lixo e escombros”, lamenta Cleoni, sob lágrimas. O que mais lhe dói, no entanto, é a perda de objetos, como uma máquina de costura, e inúmeras fotos da falecida mãe.

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Espera por Aluguel Social

Após o fato, ela foi para o Paraná, onde mora o filho mais velho. Uma semana depois voltou para prestar depoimento e procurar ajuda no Centro Jacobina.

Hoje, ela reside com a filha, que está grávida de seis meses, enquanto aguarda pelo benefício do Aluguel Social para procurar um imóvel e residir novamente com o filho mais novo, que está na casa de uma prima. O ex-companheiro se entregou e está preso preventivamente desde o dia 27 de janeiro, segundo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de São Leopoldo. Ele não tinha antecedentes criminais.

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Por medo, Cleoni ainda não conseguiu voltar efetivamente ao trabalho. “O que eu mais penso é na minha segurança. Enquanto ele está preso, beleza, mas e depois que ele sair de lá?”, argumenta a diarista, comentando que ele avisou uma amiga que não ficaria muito tempo preso e, ao sair, “terminaria o que começou”.

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História contada na Câmara e na Prefeitura

Na primeira sessão da Câmara de Vereadores do ano, dia 3 de fevereiro, motivada por vereadores, Cleoni usou a tribuna para contar o seu caso. Na terça-feira (10), também participou da apresentação do projeto de lei que destina vagas de emprego a vítimas de violência doméstica, no gabinete do prefeito Heliomar Franco.

“Graças a Deus, estou viva. Tantas não tiveram a sorte que eu tive. Mas o meu medo é de ele mandar me matar”, revelou a diarista à reportagem. Por meio do Centro Jacobina, nesta quinta-feira (12), Cleoni terá sua primeira sessão com psicóloga. Enquanto isso, aguarda também pela possibilidade de conseguir assistência jurídica com um defensor público, pois não tem advogado e tão pouco conhecimento sobre como está seu caso. Ela também está com Medida Protetiva ativa contra o ex-marido.

Ajuda para recomeçar

Sem renda certa até conseguir voltar plenamente a trabalhar, Cleoni agora buscar ajuda para recomeçar a vida. Uma vaquinha on-line foi criada para auxiliar na construção de uma nova casa no mesmo terreno onde morava, que foi herdado de sua mãe.

A vaquinha pode ser acessada pelo link www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-cleonice-a-reconstruir-a-sua-casa. Uma rifa também está ativa e pode ser adquirida pelo telefone (51) 99224-8908, com Aline.

SILÊNCIO APRISIONA. INFORMAÇÃO LIBERTA. DENUNCIE! LIGUE 180.

Este é um movimento de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher

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