O futuro da RS-239 será abordado na audiência público-privada realizada pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV) na quinta-feira (5). O encontro, que reunirá empresários, instituições, entidades, comunidade e parlamentares ocorre das 8h às 10h, no auditório da ACI, em Novo Hamburgo). O tema central do debate é a concessão do bloco 1 das rodovias, em especial a cobrança de novos pedágios na RS-239. O encontro é aberto ao público mediante inscrição pelo site.

Foto: Jauri Belmonte/Especial
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A audiência desta quinta-feira (5) tem como objetivo reunir novos dados e soluções e, ao final, detalhar as ações em um documento que será entregue ao governo do Estado.
“A grande discussão é sobre a cobrança abusiva prevista para os pedágios na RS-239, alterando o valor do trecho entre Estância Velha e Taquara de R$ 6,50 para R$ 30, em média, considerando ida e volta. Isso sem contar trechos de Taquara a Rolante e Taquara a São Francisco de Paula. Além disso, nos preocupa que neste modelo não está prevista a construção elevadas nos acessos aos municípios e nem passarelas”, afirma o diretor da ACI, Fauston Saraiva, que ressalta que a entidade empresarial defende a necessidade de melhorias nas rodovias do Estado, mas sem trazer prejuízos consideráveis para empresas e para a comunidade.
“O que não estamos de acordo é que, de modo simples e puro, o governo transfira o custo através de concessões onerosas. Temos uma transportadora associada (da ACI) que nos repassou que terá um aumento em torno de R$ 20 mil ao mês somente com custos dos pedágios que estão previstos no modelo apresentado pelo Estado. Tem empresa que fica na RS-239, no entorno, e também as que utilizam o curto trajeto para atender indústrias de Três Coroas, Igrejinha. Não adotamos um discurso de ser contra, nós pensamos em soluções. Queremos que se tenha um pedágio de forma moderada e razoável e que se invista nas melhorias. O Estado também tem que cortar despesas, reduzir impostos, adotar medidas internas para que se deixe de desperdiçar dinheiro público e sobre para as reformas necessárias”, diz o dirigente.
Adiamento
A ACI tem participado das mobilizações por alterações no modelo de concessões desde o início. Segundo Saraiva, um dos pleitos já foi conquistado: o adiamento do edital do leilão que seria no mês de março. “Tivemos contato direto com a secretaria de Reconstrução, com os técnicos, e o edital que sairia em março foi prorrogado pra junho para que sejam feitos novos estudos”, explica.
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Impactos no setor calçadista
O setor calçadista também deve sofrer impactos caso o modelo atual da concessão que envolve a RS-239 seja oficializado. Uma das áreas mais afetadas deve ser a do Vale do Paranhana.
“Falamos de uma região altamente dependente da logística rodoviária, tanto para o recebimento de insumos quanto para o escoamento da produção. O aumento significativo nos custos de transporte irá pressionar ainda mais as margens das empresas, que já operam em um cenário de forte concorrência, especialmente com produtos importados. Isso afeta diretamente a competitividade do polo calçadista, podendo resultar em perda de mercado, redução de investimentos e impacto sobre empregos”, ressalta o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados e Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC), Márcio Port dos Santos.
O presidente do SICT lembra ainda que custos elevados trarão consequências também para os trabalhadores das fábricas de calçados. “Muitos trabalhadores utilizam diariamente a RS-239 para se deslocar até as fábricas. A cobrança elevada de pedágio também representa um custo adicional para esses profissionais, o que acaba refletindo em toda a cadeia produtiva. Somos favoráveis à melhoria da infraestrutura, mas defendemos um modelo de concessão mais equilibrado, com tarifas compatíveis com a realidade econômica da região e com o perfil das empresas e da população que utilizam a rodovia”, detalha.