As exportações calçadistas seguem em queda, enquanto as importações avançam. É o que mostram os dados do mês de fevereiro, elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e divulgados nesta segunda-feira (9).

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No segundo mês do ano, foram embarcados 7,67 milhões de pares, que geraram US$ 63,85 milhões, quedas tanto em volume (-20,3%) quanto em receita (-25,7%) em relação a fevereiro do ano passado. Já no acumulado do bimestre, as exportações somaram 17 milhões de pares e US$ 135,34 milhões, quedas de 18,9% e 22,2%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025.
E o que ocasionou a queda em fevereiro? Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ela reflete a instabilidade do mercado internacional, em especial nos Estados Unidos. Outro motivador da queda é a Argentina.
“Há um processo de desaceleração do consumo no mercado argentino iniciado no segundo semestre do ano passado, associado ao acirramento da concorrência internacional para os calçados brasileiros naquele mercado, especialmente com países asiáticos“, explica o dirigente, ressaltando que além da menor dinâmica da economia, a flexibilização das condições de importação no país têm beneficiado fornecedores asiáticos, que têm direcionado volumes crescentes para a América Latina diante das tarifas adicionais aplicadas no mercado norte-americano.
Sobre o “fim do tarifaço”, a Abicalçados mantém o otimismo cauteloso. O presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, destaca que a decisão divulgada quanto ao uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para a imposição de tarifas implica na perda de viabilidade legal da sobretaxa de 50% aplicada aos calçados brasileiros com base em duas Ordens Executivas, anunciadas em abril e julho do ano passado.
“No entanto, estamos aguardando mais informações sobre os desdobramentos operacionais da decisão e na espera da publicação de nova Ordem Executiva após o anúncio de uma tarifa adicional global de 10% com base na Seção 122 da Lei do Comércio”. Ferreira lembra ainda que é preciso analisar atentamente como será o período de ajuste das medidas e da operação nos Estados Unidos, bem como os efeitos sobre o mercado que permanece sob elevado nível de incerteza.
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Destinos
Principal destino do calçado brasileiro no exterior, os Estados Unidos importaram, no primeiro bimestre, 2,18 milhões de pares verde-amarelos por US$ 27,5 milhões, incremento de 13,2% em volume e queda de 65% em receita na relação com o mesmo período do ano passado.
O segundo destino das exportações de calçados no bimestre foi a Argentina, para onde foram embarcados 760,68 mil pares por US$ 11,4 milhões, quedas de 59,5% e 65%, respectivamente, ante o mesmo ínterim de 2025.
Estados
O principal exportador do setor no Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul, que no primeiro bimestre embarcou 5,33 milhões de pares por US$ 68,23 milhões, quedas de 4,8% e 16,7%, respectivamente, ante o período correspondente do ano passado.
Na sequência, aparece o Ceará, de onde partiram, no bimestre, 6,15 milhões de pares por US$ 30,82 milhões, quedas de 24,1% e 27,5%, respectivamente, em relação ao mesmo intervalo de 2025.
São Paulo aparece na terceira posição entre os exportadores de calçados. No bimestre, as fábricas paulistas embarcaram 697,7 mil pares, que geraram US$ 11 milhões, quedas de 30,9% e 26,3%, respectivamente.
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Importações
As importações brasileiras de calçados seguem em crescimento, movimento observado nos últimos anos e que se mantém mesmo diante da menor dinâmica do mercado doméstico, fato que impacta na produção nacional.
No primeiro bimestre de 2026, as importações de calçados somaram 9,7 milhões de pares e US$ 109,27 milhões, incrementos tanto em volume (+23%) quanto em receita (+12,1%) em relação ao mesmo período do ano passado.
As principais origens seguem sendo os países asiáticos: China (3,16 milhões de pares e US$ 8 milhões, incremento de 18,2% em volume e queda de 12,9% em receita ante o mesmo intervalo de 2025); Vietnã (2,53 milhões de pares e US$ 55,25 milhões, incrementos de 1% e 15,3%, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado); e Indonésia (1,55 milhão de pares e US$ 27,3 milhões, incrementos de 4,7% e 16,2% em relação ao mesmo período de 2025).
Em partes – cabedais, saltos, solados, palmilhas etc -, as importações do bimestre somaram US$ 10,63 milhões, 10,2% mais do que no mesmo intervalo do ano passado. As principais origens foram China, Paraguai e Vietnã.