A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul lidera um projeto pioneiro. A iniciativa de acolhimento, qualificação e inserção produtiva de migrantes e refugiados no mercado de trabalho do Rio Grande do Sul foi lançada, nesta quinta-feira (12), pelo Sistema Fiergs.
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Foto: Dudu Leal
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O programa Indústria Acolhedora foi formalizado a partir da assinatura de um memorando com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), na sede entidade em Porto Alegre.

Foto: Dudu Leal
Segundo o Sistema Fiergs, a iniciativa deve beneficiar 2,4 mil pessoas até 2027, que terão oportunidade, principalmente, de se qualificar profissionalmente.
“Muitas das indústrias que hoje são gigantes começaram como pequenos negócios familiares, fruto do trabalho árduo e da visão daqueles que escolheram esta região para recomeçar. É com esse mesmo espírito que desenvolvemos o Indústria Acolhedora, um programa que promove a qualificação e a inserção produtiva de migrantes e refugiados”, afirma o presidente da Fiergs, Claudio Bier.
Durante o evento, o chefe de missão da OIM no Brasil, Paolo Giuseppe Caputo falou sobre o ineditismo do programa ao trazer também a perspectiva do acolhimento. “Estas três palavras – acolher, qualificar, incluir – nos guiam. Não se trata apenas de acolher. Se pudermos utilizar uma dessas palavras, precisamos trabalhar com todas elas, juntas. Nenhuma delas é mais importante do que a outra”, ressalta.
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Qualificação para atuação no setor
O programa prevê a oferta de 660 matrículas para migrantes na área de educação do Sesi-RS, além de 700 atendimentos em saúde.
No Senai-RS, são 800 matrículas em cursos de educação profissional. Já o Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS) projeta capacitar 240 migrantes por meio de workshops e realizar 700 cadastros na plataforma Indústria de Talentos, ampliando as oportunidades de inserção qualificada no setor industrial.
E esses números poderão ser ampliados conforme avançar a parceria entre as entidades, adianta o gerente da Divisão de Educação do Senai-RS, Marcio Basotti.
“A indústria do nosso estado enfrenta desafios importantes. Precisamos trabalhar cada vez mais para alcançar competitividade, ser uma indústria mais produtiva, mais inovadora, que consiga transformar o Rio Grande do Sul em um local de atração e, principalmente, de retenção de pessoas. No momento em que pessoas escolhem nosso Estado para viver, o que precisamos fazer é acolhê-las. O programa Indústria Acolhedora vai justamente nesse sentido”, afirma.
Embaixadora da OIM, a empresária, modelo e atriz Luiza Brunet fez parte da cerimônia desta quinta (12) e ressaltou a importância da parceria para a construção de oportunidades.
“Os imigrantes e migrantes têm chegado sempre com a esperança de uma vida melhor para suas famílias, para seus filhos, em busca de acolhimento. Mesmo com todas as dificuldades, esse momento é muito importante. Tenho certeza de que os imigrantes que serão acolhidos pela indústria vão se reconectar com o país”, diz.
O ato de assinatura também contou com a presença da diretora de Relações Institucionais do Sistema FIERGS, Ana Paula Werlang, e do diretor de Comunicação, Nilson Vargas, da chefe de programas da OIM no Brasil, Michelle Barron, da coordenadora de projetos da Unidade de Integração da OIM no Rio Grande do Sul, Patricia Siqueira, da coordenadora do Escritório da OIM no Paraná, Talita Souza, e da coordenadora de projetos da OIM em Santa Catarina, Carolina Becker.
O programa
Conforme a Fiergs, o programa Indústria Acolhedora é uma resposta aos desafios demográficos e econômicos enfrentados pelo Rio Grande do Sul. A proposta é integrar migrantes e refugiados ao setor industrial do estado, promovendo trajetórias profissionais sustentáveis e contribuições concretas para a competitividade e inovação da indústria gaúcha.
Com atuação conjunta das entidades que compõem o Sistema Fiergs– Sesi/RS, Senai-RS e IEL-RS –, além da OIM, o programa oferece uma série de serviços que vão desde acolhida na chegada ao Brasil, regularização migratória, apoio psicossocial e educação, até capacitação profissional e encaminhamento ao mercado de trabalho.
Entre os principais públicos-alvo estão migrantes e refugiados residentes no Rio Grande do Sul que buscam inserção produtiva e desenvolvimento de carreira, bem como suas famílias, com atenção especial a mulheres e jovens, e indústrias interessadas em adotar práticas inclusivas no recrutamento e retenção de talentos.
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Já começou
Um projeto-piloto já está em andamento em Erechim, na empresa Comil. “O Senai está oferecendo cursos de formação profissional para migrantes, e o Sesi já está com cursos de EJA (educação de jovens e adultos), reforçando a educação básica como pilar fundamental para a adaptação. Hoje, mais de 200 pessoas já estão sendo atendidas nessas duas iniciativas”, conta Basotti.
Ainda segundo ele, o programa será expandido para outras regiões, como Passo Fundo, Caxias do Sul e cidades do Vale do Taquari.