Segunda bebida mais consumida no mundo, atrás apenas da água, o cafezinho de todo dia está pesando no bolso dos gaúchos. Mas não é só por aqui que o café anda mais amargo. O preço da commodity teve um aumento de quase 80% ao longo dos últimos meses e atingiu o maior valor da história na bolsa de valores de Nova York, com a saca de 60 quilos sendo comercializada a mais de R$ 2,5 mil.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Foto: Vandré Brancão/GES-Especial
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço do café torrado e moído teve alta para o consumidor final de quase 40% em 12 meses, chegando na casa de R$ 50 o quilo. Nas gôndolas dos supermercados da região, o pacote de 500 gramas do café tradicional é comercializado a R$ 23,90 e até R$ 31,95 — preços encontrados pela reportagem nesta quinta-feira (6). Algumas redes conseguem margem para promoções, vendendo o produto a R$ 19,99.
ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL NH NO WHATSAPP
Nas cafeterias do Centro, tem cliente que já percebe o aumento no preço do tradicional cafezinho. Alguns estabelecimentos, no entanto, estão segurando o reajuste — mas isso não deve seguir por mais muito tempo.
A vendedora Tatiane Fagundes, 49 anos, moradora do bairro Vicentina, em São Leopoldo, viu a conta do café saltar de R$ 15 para R$ 24. “Em casa até não consumo tanto, mas, na da minha mãe, por exemplo, vão uns três pacotes por mês, aí a gente sente no bolso”, afirma.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
ALERTA PARA TEMPESTADE: Veja as regiões com maior risco de tempo severo hoje
Jaqueline Callegari, atendente em uma loja de autopeças em Novo Hamburgo, conta que, por mais que durante o verão o consumo do café seja pequeno, os colegas sabem que a “vaquinha” para comprar o produto vai ter de aumentar. “Agora, no verão, tomamos pouco, mas no inverno, acho que vamos sentir bastante esse aumento”, relatou.
“Se eu falar que não notei a diferença, vou estar mentindo. Mesmo assim, quase passa despercebido, porque eu uso só 1 quilo de café por mês”, disse o vendedor Kleber Luciano, 31, também de Novo Hamburgo. “Se olhar só para o café, não muda muito, mas tudo está aumentando, aí fica difícil”, reclama.
Mas o que está fazendo o preço do café disparar? São Pedro, poderíamos dizer. Brincadeiras a parte, a inflação da bebida tem fator climático. Inclusive, especialistas chamam de “inflação climática”. Isso porque os dois principais produtores do grão no mundo, Brasil e Vietnã, passaram por importantes episódios de seca severa e inundações, respectivamente.
NA CAPITAL: Fernanda Torres vira nome de drinque e petisco de bar em Porto Alegre
Fora isso, o consumo do cafezinho não diminuiu. Pelo contrário, os chineses estão consumindo mais a bebida, o que vem aumentando a demanda pelo grão. Com menos oferta no mercado e a demanda em elevação, o preço da saca do café foi nas alturas.
E o custo elevado da bebida deve seguir assim por mais um tempo. De acordo com o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a safra total dos Cafés do Brasil prevista para o ano-cafeeiro 2025, incluindo o somatório da produção das duas espécies cultivadas no País, a arábica e a robusta, foi estimada em um volume físico equivalente a 51,81 milhões de sacas — uma redução de 4,4% em relação à safra colhida em 2024.
E essa redução está diretamente relacionada ao clima. Nos últimos dois anos, por exemplo, a irregularidade de chuvas e geadas em certos períodos, além das ondas de calor observadas no final de 2023 e em 2024 afetaram as floradas dos cafezais e comprometeram a expectativa de produção da safra vindoura.
DESCOMPLICANDO: É namoro ou união estável? Quanto tempo o casal precisa estar junto para garantir benefícios
De olho no estoque
Na conta do preço do café, não basta só levar em consideração a produção, também é necessário olhar o estoque. Na análise feita pelo Conab, o consumo global projetado alcança 168,1 milhões de sacas, um aumento de 3,1% em relação à safra passada.
No entanto, o estoque final previsto para a safra 2024/25 é de apenas 20,9 milhões de sacas, o ponto mais baixo das últimas 25 temporadas, refletindo uma redução de 6,6% ante o ciclo anterior. Mesmo com a recuperação da produção em alguns países, o baixo volume de estoques exerceu pressão sobre os preços ao longo de 2024, contribuindo para a alta das cotações. Além disso, eventos climáticos adversos em importantes regiões produtoras, como no Brasil, limitaram a expansão da oferta, sustentando a elevação dos preços.
CHUVA DE ARANHAS: O que está por trás do fenômeno misterioso em cidade brasileira
“Este cenário, aliado aos baixos estoques mundiais e nacionais, e ao aumento da demanda externa pelo café brasileiro, refletida nos recordes de exportação e na elevação das cotações internacionais, exercem pressão sobre o mercado interno, contribuindo para a elevação dos preços do produto no varejo”, destaca o documento.
Nesse contexto, o cenário de alta que deve se manter no curto prazo.
Café fake? Cuidado!
Diante do aumento do preço do café torrado e moído, começam a pipocar no mercado produtos “sabor café”. Com preços inferiores ao produto verdadeiro, o “café fake” imita o sabor do café de forma artificial, mas não é fabricado a partir do grão. Ao contrário, leva em sua composição cascas, mucilagem, pau, pedra e palha. No entanto, no Brasil, a legislação sanitária e de defesa agropecuária proíbe a comercialização de café misturado com resíduos.
Para fugir dessa pegadinha e garantir que está adquirindo o produto original, o consumidor deve checar a origem e qualidade, verificando a procedência do grão, além de desconfiar de preços muito baixos.
Sai o café, entram outras opções
Em meio ao aumento no preço do cafezinho, já tem quem busque alternativas para a bebida. Na lista estão chá de cevada, chá de milho, chá de chicória e o tradicional chá verde. Ah, e claro, o chimarrão.