A carta de Trump, divulgada na última quarta (9) e que prevê, a partir de 1º de agosto, taxa de 50% sobre importações de produtos brasileiros, pegou de surpresa até especialistas do mercado financeiro.
“Retrata a interferência de uma nação sobre a soberania de outra. Reclamar do STF, dizer que estão tratando mal o Bolsonaro, eu nunca tinha visto um negócio deste em toda a minha vida”, diz o vice-presidente de Economia da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV), André Momberger.

Foto: Divulgação/The White House
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Caso a medida realmente entre em vigor, o especialista em finanças a define como “catastrófica para o Brasil.” Apesar de as exportações para os Estados Unidos representarem apenas 2% do PIB brasileiro, Momberger explica que haverá consequências para setores importantes da economia e que são extremamente relevantes no Rio Grande do Sul como o agro, metalmecânico e o calçadista.
“Há um tempo atrás, quando houve a questão da tarifa de 10%, falamos ainda que poderia vir a ser algo benéfico para o Brasil já que nossa taxa estava bem abaixo das tarifas aplicadas nos chineses. Mas agora é algo muito ruim e pode inclusive inviabilizar parte do comércio para os Estados Unidos. E é ruim também para o consumidor americano. Não é bom para ninguém”, avalia.
E será que a medida vai adiante?
Ainda na noite da quarta-feira (9), o presidente Lula respondeu ao líder norte-americano. “O Brasil é soberano e não aceita ser tutelado”. O presidente do Brasil afirmou também que a resposta do País virá por meio da lei de reciprocidade econômica, aprovada pelo Congresso neste ano.
André Momberger acredita que o anúncio não deve virar uma medida oficial. “Analisando friamente acredito que o decreto não ‘para de pé’. Haverá pressão de todos os lados, aqui e nos Estados Unidos. Vai acontecer como aconteceu com a maior parte de outros países, em que ele voltou atrás. Não tem cabimento o Brasil ser, depois da China, o mais tarifado”, diz.
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Jogo político
A carta de Trump cita ações judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e medidas judiciais contra plataformas por disseminação de desinformação. Outro argumento do governo de Donald Trump é o déficit que há entre negociações com alguns países. Mas, vale lembrar que no caso do Brasil, isso não acontece, pelo contrário, há superávit para o governo norte-americano.
O vice-presidente da ACI acredita que seja uma espécie de jogo político e prevê dois possíveis cenários. “Em um primeiro impacto poderia beneficiar o Lula já que ele precisa de uma narrativa para culpar alguém, a especialidade dele. Mesmo que o impacto econômico não seja tão relevante em nível global, ele (Lula) pode vir a dizer ‘estamos mal por conta disso’, culpar Trump e Bolsonaro, usar isso politicamente.”
Por outro lado, o especialista pensa que Jair Bolsonaro possa usar a situação a seu favor. “É como um jogo de xadrez, se pensa duas jogadas pra frente. Pode ser uma jogada Trump e Bolsonaro. Em que venham a dizer que Bolsonaro intercedeu e conseguiu retirar a medida, assim ele sairia como herói do Brasil e Lula como ‘mauzinho'”, projeta Momberger.