A Paquetá The Shoe Company segue com atraso no pagamento de ex-funcionários. Mesmo após a venda do complexo industrial de Sapiranga, incluindo a matriz da empresa, a calçadista não realizou, integralmente, o pagamento dos débitos trabalhistas. A informação é confirmada por ex-colaboradores de cidades onde a empresa contou com produções, como Sapiranga, Recife (PE) e Teutônia.
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Foto: Divulgação/JR Leilões
“São 6 anos de espera. Seis anos que não recebo o dinheiro da indenização da Paquetá, isso é muito constrangedor”, comenta o ex-colaborador da fábrica de Recife (PE). “Eu já estou perdendo as esperanças de receber o restante das parcelas”, comenta outro ex-funcionário que atuava na mesma unidade do Nordeste e que recebeu uma resposta da calçadista por e-mail em junho deste ano.
“Responderam o e-mail dizendo que não tem previsão para pagamento por severos problemas de caixa. Depois disso não falaram mais nada”, conta. O valor esperado é pouco mais de R$ 7 mil. Há casos também que envolvem valores de R$ 60 mil e acima de R$ 100 mil.
A empresa foi procurada pela reportagem do ABCMais para falar sobre o caso, mas não retornou ao pedido.
Vale lembrar que a parte do varejo, que mantém a marca Paquetá no nome, não faz parte da indústria de Sapiranga. A operação de varejo foi vendida para o Grupo Oscar (SP) em 2023.
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Relembre o caso
A indústria de Sapiranga já vinha passando por uma grave crise financeira e teve seu processo de recuperação judicial encerrado em 2023, mesmo ano em que vendeu sua operação de varejo para o Grupo Oscar (SP). Antes disso, em 2022, a rede varejista multimarcas Esposende, que pertencia à Paquetá The Shoe Company, foi adquirida pelo Grupo Dok.
Em julho de 2024, a rede de lojas multimarcas Di Santinni (RJ) adquiriu a marca de calçados e acessórios femininos Capodarte. O grupo varejista pagou o equivalente a R$ 36 milhões pela etiqueta pertencente até então à Paquetá.
Como a empresa se desfez de importantes “braços” da companhia, os rumores de que a matriz, em Sapiranga, também iria fechar começaram a surgir em 2023 e voltaram a ser assunto em agosto de 2024. Em setembro do ano passado, a fábrica ainda contava com alguns colaboradores na produção.
Já em novembro de 2024, os lotes da empresa calçadista começaram a ser leiloados. Em maio de 2025, os 2 prédios restantes foram arrematados. Mesmo com a venda dos bens a companhia segue com débitos em relação a ex-colaboradores e também fornecedores.