Se antes as farmácias pelo Brasil vendiam apenas medicamentos e produtos de higiene e beleza, hoje é possível encontrar alimentos, livros, produtos para pets e até linha completa de tênis. Para tentar diminuir o impacto da concorrência, os supermercados passaram a buscar espaço na venda de medicamentos. Recentemente foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2158/23, do Senado, que autoriza a comercialização de remédios em farmácias instaladas em supermercados. O texto aguarda sanção presidencial.

Foto: Arquivo/GES
Pela proposta, os medicamentos não ficam expostos nas gôndolas, eles devem ser vendidos em farmácia ou drogaria dentro do estabelecimento supermercadista e separados dos demais setores. Além disso, é preciso cumprir as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) vê o Projeto de Lei com bons olhos, mas afirma que ainda não há nenhuma de rede de farmácias interessada em criar uma estrutura completa dentro de um supermercado gaúcho.
“A farmácia completa em supermercados será importante pro setor, é preciso equilibrar esta concorrência. No entanto, nenhuma rede manifestou interesse. Batemos nesta questão porque hoje as farmácias vendem brinquedos, bazar, carne, produto pet. Isso não faz sentido. O que queremos de fato é que o setor seja regulado e cada um venda seus produtos. Hoje para o mercado ter a venda de medicamentos ele precisa ter um farmacêutico em tempo integral, já a farmácia para vender produtos de supermercado só precisa ter gôndolas”, observou o presidente da Agas, Lindonor Peruzzo Junior, durante coletiva do Ranking Agas, que ocorreu na terça (10), em Porto Alegre.
O que diz o setor de farmácias
No entendimento da Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o texto aprovado na Câmara dos Deputados significa um grande avanço em relação aos diversos projetos em discussão no passado, que autorizavam a venda de medicamentos isentos de prescrição diretamente nas gôndolas.
“Para a Abrafarma, as novas regras reforçam a política nacional de medicamentos e o entendimento de que esse é um produto especial e tem de ser tratado como tal”, diz a entidade em nota oficial.