Em meio à preocupação dos calçadistas com as taxas de 50% impostas pelos EUA, uma boa notícia. Empresas brasileiras que participaram de feiras norte-americanas após o tarifaço (que começou em 6 de agosto) conseguiram fechar negócios, e há casos em que os compradores se mostraram dispostos a arcar com as tarifas. Apesar disso, o setor ainda tem cautela, pressiona por soluções e pede medidas federais de auxílio.

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Embora o cenário ainda seja considerado crítico, dois eventos nos EUA trouxeram novo fôlego para as empresas calçadistas, com participação de 32 marcas brasileiras. A feira Atlanta Shoe Market ocorreu entre 9 e 11 de agosto. E a Magic Las Vegas, entre 18 e 20 de agosto.
A participação brasileira foi promovida pelo Brazilian Footwear, programa de apoio às exportações do setor mantido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Elas devem gerar mais de R$ 30 milhões (US$ 5,47 milhões) em negócios, realizados in loco e que ficaram alinhados.
Possibilidade
De acordo com a Abicalçados, há compradores dos Estados Unidos que se dizem dispostos a negociar o pagamento das tarifas extras para manter o fornecimento de calçados brasileiros. A gestora de Exportações da Klin, Camila Chamoun, comentou que muitos acreditam que “será algo temporário.”
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, avalia o cenário atual. “Em alguns casos, existe a possibilidade de negociação entre as partes, mas sempre incorre em prejuízos – maior ou menor – para o fornecedor. Muitos compradores locais, até pela relação de longa data com o fornecedor brasileiro, estão recorrendo a negociações individuais ou até mesmo aguardando o desdobramentos das negociações entre os governos com suas importações suspensas temporariamente.”
“Positivo, mas pode não ser duradouro”
Marlos Schmidt, que é presidente do Conselho Estratégico do movimento calçadista The South Base, também analisa o momento com cautela. “Há empresas que conseguiram administrar o impacto das tarifas com seus clientes nos EUA, mesmo que seja momentâneo isto é positivo, mas pode não ser duradouro. Há outras empresas que assumiram o risco e até os custos, podendo amargar prejuízos frente aos desafios de manter o cliente ativo na expectativa de uma melhora nas condições. E há empresas que já tiveram seus pedidos cancelados, impactando em sua produção e na cadeia produtiva”, detalha.
O The South Base nasceu na região e conta hoje com diversas ações para fomentar as exportações calçadistas brasileiras no mercado dos EUA. O movimento tem acompanhado as reuniões semanais realizadas pela FDRA (da qual é associado desde 2024).
“Vamos também trabalhar o marketing positivo da produção brasileira através do Linkedin da FDRA e dando foco nas capacitações das empresas, pois entendemos que essas capacitações além de entregar empresas melhores para o mercado americano, também o faz para qualquer mercado private label mundial. Nos preparar para os maiores, nos deixa aptos a entregarmos para outros países que também tem suas exigências”, observa Schmidt.
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O mercado dos EUA e como preservar empregos no Brasil
A Abicalçados lembra que os Estados Unidos são o segundo principal consumidor de calçados do mundo, com mais de 2,6 bilhões de pares consumidos pela sua população todos os anos. “Apesar disso, é um
mercado que não é fabricante, ou seja, é dependente das importações do produto. O que está acontecendo, com a sobretaxa aplicada, é que estamos perdendo (ainda mais) mercado para o calçado entrar nos Estados Unidos”, alerta Haroldo Ferreira.
Conforme o presidente-executivo da Abicalçados, a manutenção de empregos está em jogo mediante as adversidades impostas pelo tarifaço. Assim como outras entidades que representam a indústria brasileira, a Abicalçados cobra medidas do governo brasileiro.
“Reconhecemos os esforços governamentais na disponibilização de linhas de créditos do BNDES, mas precisamos, neste momento, de medidas cirúrgicas de proteção ao emprego. Entre essas medidas, já levadas ao vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e estão em análise no MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), estão mecanismos de redução temporária de jornada e salário proporcionais, com pagamento ao empregado, com recursos da União, de um auxílio imediato compensatório. Também solicitamos o adiamento do recolhimento do FGTS pelos empregadores, referente às competências abarcadas pela entrada em vigor da taxação, com o recolhimento das competências de forma parcelada, sem a incidência da atualização, da multa e dos encargos”, explica Ferreira.