O Rio Grande do Sul será fortemente impactado pelo tarifaço Trump, mesmo com as isenções em produtos de exportação que seguem para os EUA. Estudo preliminar realizado pelo Sistema Fiergs indica que 85% dos produtos da indústria gaúcha vendidos aos Estados Unidos serão taxados em 50% a partir de 6 de agosto. Para tentar encontrar soluções em meio ao cenário preocupante, foi formado um comitê de crise que é liderado pelo presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier.

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
O comitê de crise é formado por diretores, coordenadores de conselhos temáticos ligados ao tema e representantes de sindicatos industriais afetados pelas medidas. Nesta sexta-feira (1º), haverá uma reunião desse colegiado.
“Precisamos encontrar soluções no Brasil. Sigo na posição de que não devemos partir para retaliações. Um dos impactos seria, por exemplo, na importação de óleo diesel, que elevaria o preço do combustível no país e teria reflexo na inflação”, afirma Bier.
De acordo com a entidade gaúcha, no País, 44,6% dos itens não sofrerão a aplicação da taxa máxima, enquanto no estado esse percentual é de 14,9%. Com isso, a estimativa inicial é de que o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho possa ter uma redução de R$ 1,5 bilhão no próximo ano – a projeção inicial era de R$ 1,9 bilhão.
“Essa medida do governo americano deixa a indústria gaúcha entre as mais prejudicadas do País”, resume Claudio Bier.
A Fiergs vem atuando de forma intensa junto aos governos federal e estadual e informou que irá intensificar a mobilização frente a esse impacto.
Empregos
No documento divulgado pelos norte-americanos, alguns artigos do segmento de celulose e papel não terão mudança na tarifa aplicada, mas demais setores estratégicos para o RS foram taxados. Madeira e derivados estão sob uma investigação própria da chamada seção 232, permanecem também sem alteração até conclusão do processo, mas correm o risco de sofrer elevação de tarifas mais adiante.
O estudo preliminar realizado pela Fiergs aponta que mais de 140 mil trabalhadores atuam em setores expostos às medidas anunciadas pelo governo do EUA. A estimativa é de que 20 mil postos de trabalho estejam diretamente ameaçados no estado.
Novas medidas
Bier reforça que a indústria gaúcha precisa de medidas compensatórias urgentes, nos aspectos tributários, de crédito, trabalhistas e prazo maior para adequação. Na quarta-feira (30), após o anúncio da decisão norte-americana, com sanção da taxa de 50% pelo presidente Donald Trump, a entidade do RS divulgou um posicionamento no qual expressa que há espaço “para novas ações por parte do governo do Estado e muito mais espaço ainda para medidas de natureza tributária, trabalhista e de crédito, entre outras, de parte do governo federal.”
Bier reforça que os subsídios trariam fôlego para que as empresas exportadoras possam buscar novos mercados. “Sabemos que um mercado não se faz de uma hora para outra, mas precisaremos de medidas semelhantes ao que houve na época da enchente”, detalha Bier.
Um dos pleitos em negociação com o governo estadual é a liberação de créditos de ICMS para que as empresas possam usar os recursos emergencialmente.