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GUERRA COMERCIAL

TARIFA DE TRUMP: "Efeito grande e prolongado"; entenda as consequências para a cadeia exportadora

Taxação de 50% pegou empresas de surpresa; momento é de incertezas e espera por negociações

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 11/07/2025 às 16h:05 Última atualização: 11/07/2025 às 16h:05
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A carta de Donald Trump anunciando taxação de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto pegou os empresários de surpresa. A vice-presidente de Internacionalização da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV), Sheila Bonne, tem recebido muitos relatos de empresas que farão mudanças nas negociações com os EUA.

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Presidente dos EUA, Donald Trump | abc+



Presidente dos EUA, Donald Trump

Foto: Molly Riley

De acordo com Sheila, empresários devem manter exportações para o mercado norte-americano, porém em menor volume. “Muitos continuam fazendo negócios com os EUA, mas em quantidades menores. É algo geral que estou ouvindo dos associados e clientes, que não deixarão de atender, mas será em um volume pouco menor”, explica em entrevista ao ABCmais nesta sexta (11).

A vice-presidente da ACI, e que atua diretamente com comércio exterior, lembra que o Brasil já havia sido taxado em 10% anteriormente, tarifa bem menor do que a aplicada em outros países. “Ninguém estava esperando a taxação de 50%. A tarifa de 10% já tinha gerado impactos, embora fosse taxação mínima em comparação com outros países, ainda era um cenário favorável.”

Agora, com a taxação em 50% sobre qualquer produto de origem brasileira, há impactos diretos em toda a cadeia de fornecimento. “Deixa toda a operação, negociação, toda a cadeia de abastecimento muito instável. Essa cadeia é muito ampla, temos o exportador na ponta, mas a empresa não fabrica sozinha ela precisa de uma cadeia enorme de fornecedores. Ou seja, vários negócios são impactados quando há taxação de produto final”, alerta Sheila.

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Negociação urgente

A vice-presidente de Internacionalização acredita em uma negociação entre Brasil e Estados Unidos. “O Trump tem essa característica, de anunciar a tarifa querendo que os países negociem. Eu não acredito que a taxa ficará em 50%, mas penso que deve haver uma forma urgente de negociação. Essa medida gerará um efeito grande e prolongado. Se olharmos os meses da taxação atual e agora os 50%, a partir de agosto, temos que projetar uma recuperação por parte destas empresas afetadas em anos e não em meses.”

Além dos desafios para o cenário nacional, Sheila observa que o mercado norte-americano também será fortemente afetado. “Eles ficarão desabastecidos. A indústria local dos EUA não é suficiente e nem está preparada. Com este movimento do Trump as cadeias brasileiras e norte-americanas serão bastante penalizados.”

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Ela também destaca a importância da união das empresas com associações e demais entidades de classe. “Os clientes têm dito que irão aguardar para saber como tudo vai ficar. E eu defendo que as empresas precisam se unir, ir em entidades de classe, associações, para que da forma mais rápida possível se represente a indústria junto ao governo federal na busca por uma agenda de negociações com o governo dos EUA.”

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