Um dos impactos da decisão dos Estados Unidos em taxar em 50% os produtos brasileiros cairá sobre o setor exportador de suco de laranja, já que o Brasil é o país que mais produz e exporta do mundo.
Segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), na safra 2024/25, encerrada em 30 de junho, os EUA representaram 41,7% das exportações brasileiras do produto, somando US$ 1,31 bilhão em faturamento.

Foto: Freepik
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Em nota divulgada à imprensa, a CitrusBR afirma que, com a taxação, “72% do valor total do produto passariam a ser recolhidos em tributos, inviabilizando as exportações para aquele mercado sem que haja graves prejuízos para toda a cadeia. Trata-se de uma condição insustentável para o setor, que não possui margem para absorver esse tipo de impacto”.
No Rio Grande do Sul, apesar do produto não estar entre os mais exportados do Estado, a decisão preocupa produtores de citricultura da região. O presidente da Câmara Regional da Citricultura do Vale do Caí, Ivan Streit, afirma que o setor está apreensivo em toda sua cadeia produtiva.
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“Com certeza teremos um impacto a nível nacional do setor, pois já estávamos taxados com 10%, o que vinha elevando o custo para o consumidor americano, nosso maior mercado, fato que baixou em torno de 4% o consumo. Diante do exposto até agora, vemos que será, não só para o setor citrícola, mas para o Brasil todo uma situação complexa”, pontua.
Streit explica que a região possui empresas processadoras de suco, que funcionam como uma extensão de outras grandes empresas da de São Paulo. Na análise do presidente, o que poderá acontecer é que, sem a demanda, os principais produtores de citrus do Brasil, como São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, terão de revender a fruta para outros estados, como o Rio Grande do Sul, com um custo mais baixo, para “demandar” o produto.
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“Já quando nós aqui não temos uma produção suficiente, muitos comerciantes já trazem laranjas de fora, então esse é o problema. Vai com certeza, também, baixar o preço da fruta aqui no nosso Estado. E como está existindo um aumento substancial de pomares, mudas que estão sendo já encomendadas para 2026, nós temos toda uma cadeia que vai ser atingida por isso”, reforça.