A medida anunciada por Donald Trump que impõe tarifa de 50% para importações do Brasil traz impactos diretos para a economia exportadora. E como fica o mercado interno diante da imposição de uma taxa tão elevada? Será que os alimentos dentro do Brasil terão preços menores a partir de uma possível queda nas exportações?
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A resposta é não. O economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, explica que a lógica é justamente o contrário.
“Pensar que os preços podem baixar é uma ilusão. A gente produz infinitamente mais do que o brasileiro é capaz de consumir. Quando se exporta menos, há menos atividade econômica no Brasil e isso quer dizer menos resultado, menos imposto, menos faturamento e menos emprego. É ruim para a economia e ruim para os preços.”
Luz lembra que o agronegócio do Brasil exporta R$ 12 bilhões para os EUA, sendo quase R$ 1 bilhão pelo Rio Grande do Sul. “Não podemos abrir mão disso. É ruim para a economia e para todos. Os Estados Unidos levam 7% de tudo que exportamos no agro brasileiro e mais de 5% do que exportamos no agro gaúcho, é muito mais do que outros países do mundo. Os EUA são o segundo maior comprador do Brasil e do RS, a nível de país, ficando atrás somente da China”, detalha o economista.
Fora da realidade
Sobre o argumento de que seja necessário um equilíbrio entre o comércio entre os países, Antônio da Luz destaca que hoje exportamos menos do que importamos. “Essa questão levantada por Trump não é a realidade”, observa.
Luz também traz como motivações as questões políticas que envolvem o cenário, como o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento sobre tentativa de golpe de estado e a carta assinada pelo Brics que teria incomodado o governo norte-americano.