abc+

INDÚSTRIA CALÇADISTA

TARIFAÇO: Exportações em queda e invasão chinesa; entenda impactos do 1º mês da cobrança Trump no setor calçadista

Dados foram divulgados pela Abicalçados nesta segunda-feira (8); veja detalhes

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 08/09/2025 às 12h:08
Publicidade

O tarifaço de Donald Trump completou um mês no último sábado (6). A cobrança de 50% sobre produtos brasileiros que entram em solo norte-americano tem prejudicado a indústria calçadista, com forte atuação no RS e região. 

Publicidade

Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em agosto, e divulgados nesta segunda-feira (8), trazem a queda nas exportações e mostram que as importações seguem em elevação, demonstrando preocupação com a “invasão chinesa”.

LEIA TAMBÉM: Exportações do Brasil para os EUA caem 18,5% no primeiro mês do tarifaço; para a China, subiram 30%

Indústria calçadista sofre efeitos do tarifaço Trump | abc+



Indústria calçadista sofre efeitos do tarifaço Trump

Foto: Fernanda Klauck/divulgação

Conforme os dados da entidade, no mês de agosto, as exportações do setor somaram 7,64 milhões de pares, que geraram US$ 77 milhões, quedas de 0,5% em volume e de 9,1% em receita na relação com o mesmo mês em 2024. As exportações para os Estados Unidos registraram 803,7 mil pares e US$ 21,4 milhões, quedas tanto em volume (-17,6%) quanto em receita (-1,4%) em relação ao mesmo mês de 2024.

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos, país que responde por mais de 20% do total gerado pelas exportações brasileiras de calçados, já foi sentido em agosto. Em setembro, quando teremos um mês inteiro de vigência da tarifa adicional, esse revés deve ser ainda maior”, avalia o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

Publicidade

Segundo o executivo, as tarifas praticadas tornam as exportações brasileiras “praticamente inviáveis” diante da concorrência voraz dos asiáticos, em especial dos chineses naquele país.

No acumulado dos 8 meses do ano, foram embarcados 67,52 milhões de pares por US$ 651,1 milhões, incremento de 5,7% em volume e queda de 0,6% em receita no comparativo com intervalo correspondente de 2025.

Outros destinos

O segundo destino do calçado brasileiro no ano é a Argentina, que em agosto importou 1,63 milhão de pares brasileiros por US$ 18,44 milhões, incrementos de 68% e 11,6%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, foram exportados para lá 9,35 milhões de pares, que geraram US$ 135,68 milhões, crescimento tanto em volume (+37,4%) quanto em receita (+5,3%) em relação ao mesmo período de 2024.

Publicidade

No terceiro posto entre os destinos do calçado brasileiro no exterior aparece o Paraguai, que em agosto importou 876,9 mil pares verde-amarelos por US$ 4,3 milhões, incrementos de 41,4% e de 23,5%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. Já no acumulado do ano, os paraguaios importaram 5,95 milhões de pares e US$ 27,7 milhões, incremento de 8,7% em volume e queda de 1,7% em receita no comparativo com o mesmo intervalo de 2024.

Invasão chinesa

Com o aumento nas importações, a Abicalçados ressalta as consequências da entrada dos calçados chineses no mercado verde-amarelo. “Com a tarifa aplicada pelos Estados Unidos contra os produtos chineses, os produtores daquele país vêm escoando seus excedentes em outros mercados, inclusive no brasileiro, com preços muito baixos”, explica Ferreira, ressaltando que o fato gera um desequilíbrio concorrencial no mercado doméstico brasileiro, trazendo prejuízos à indústria nacional.

Publicidade

No mês de agosto, entraram no Brasil 492 mil pares chineses, pelos quais foram pagos US$ 3,7 milhões, incrementos tanto em volume (+41,5%) quanto em receita (+67,2%) em relação ao mesmo mês de 2024. Já no acumulado do ano, as importações chinesas somaram 8,45 milhões de pares e US$ 31,18 milhões, aumentos em pares (+9%) e em valores (+14,1%) em relação ao mesmo ínterim do ano passado.

No total, as importações de agosto somaram 3,55 milhões de pares e US$ 49,27 milhões, incrementos de 23% em pares e de 18,4% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, as importações somaram 30,13 milhões de pares e US$ 387 milhões, aumentos tanto em volume (+26,9%) quanto em receita (+28,8%) em relação ao mesmo período do ano passado.

Publicidade