O “Tá Na Mesa”, evento realizado semanalmente pela Federasul em Porto Alegre, tratou sobre os impactos reais do tarifaço de 50% imposto aos produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Estiveram presentes nesta quarta-feira (6), dia que marca o início das tarifas, representantes dos setores mais prejudicados no Estado: Priscila Linck, coordenadora da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) e Valmor Thesing, do SindiTabaco.
Participaram também os presidentes do Conselho da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra e do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior. A mediação foi do presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa.

Foto: Sérgio Gonzalez/ Federasul
Considerado um dos ramos mais afetados pelas taxas, a indústria calçadista estima que as exportações para o mercado estadunidense devem ficar praticamente impraticáveis. “Especialmente frente aos nossos concorrentes [países asiáticos]”, explica Priscila Linck.
Priscila diz que após dois anos consecutivos de queda, o primeiro semestre foi de crescimento para o setor no Brasil. O país exportou para os Estados Unidos 111,8 milhões de dólares entre os meses de janeiro e junho, valor equivalente a 5,8 milhões de pares de calçados.
Os números representam crescimentos de 7,2% e 13,5% em comparação ao mesmo período de 2024. “Esse ciclo será interrompido”, afirma a coordenadora do setor de inteligência da Abicalçados. Ela explicou no painel que o Brasil é o maior produtor de calçados do ocidente, ou seja, ficando atrás apenas de países orientais (China, Índia e Vietnã).
Dos 111,8 milhões de dólares em exportações no ano, a participação gaúcha é de 62%, com 68,9 milhões de dólares. “O Estado é responsável pela maior fatia da produção nacional. E os EUA são os principais compradores.”
O tema também foi referendado por uma nota da Abicalçados, que alerta para os riscos causados pelas medidas impostas pelo governo dos EUA.
Região prevalece no mercado
Grande parte da indústria calçadista está localizada entre os Vales do Sinos, Paranhana, além da Encosta da Serra, região das Hortênsias e Serra gaúcha. No Vale do Sinos são 683 empresas, enquanto o Vale do Paranhana e a Encosta da Serra abrigam 591.
Nas Hortênsias e Serra são 74 empresas. Outras regiões do Estado somam 419 empreendimentos do setor de calçados. E os Estados, apesar de não ser um comprador exclusivo, recebe grande parte da exportação.
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