Mesmo com as argumentações de representantes da indústria brasileira, que demonstraram a importância do comércio bilateral, a nova tarifa adicional de 25% será aplicada pelo governo dos Estados Unidos a partir do dia 22 de julho. Com isso, o Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos EUA, ficando atrás somente da China. O anúncio da cobrança adicional foi feito na última quarta (15).

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O ato prevê uma regra de transição para mercadorias embarcadas antes da entrada em vigor da medida, desde que ingressem para consumo nos Estados Unidos até 29 de julho.
Há uma lista de exceções, no entanto, mais uma vez, os principais produtos exportados pelo Rio Grande do Sul não receberam isenção, como é o caso do setor calçadista e de vestuário.
Dados do Conselho de Comércio Exterior e da Unidade de Estudos Econômicos Sistema Fiergs, mostram que 48,2% das exportações do Rio Grande do Sul ao mercado norte-americano serão impactadas pelo tarifaço.
No caso do RS, somente cerca de 2% do total exportado pelo estado aos EUA entrou nesta lista de exceções, com destaque para alguns itens de couro e pescado. Esse cenário mantém um elevado nível de restrição ao comércio bilateral, reduzindo a competitividade da indústria gaúcha no mercado norte-americano.
“Lamentamos a decisão dos Estados Unidos porque ela penaliza a indústria brasileira e reduz a competitividade das empresas gaúchas. Embora a lista de exceções tenha sido ampliada, a maior parte das exportações continua alcançada pela medida. Além disso, a tarifa de 25% coloca o Brasil entre os países com maior custo de acesso ao mercado norte-americano, atrás apenas da China, ampliando nossa desvantagem frente aos principais concorrentes internacionais”, analisa o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier.
Outros produtos estão, ainda, sujeitos às tarifas setoriais sob a Seção 232 (como aço, alumínio e seus derivados), que atingem 36,9% dos embarques do estado. No total, 85,1% das exportações do RS aos EUA estão sob impacto de taxação extra.
Em breve, uma nova decisão do USTR deve ocorrer no escopo exclusivo da ação sobre possíveis práticas de trabalho forçado no Brasil, com a possibilidade de taxação de 12,5% para mais de 60 nações, incluindo o Brasil.