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ECONOMIA

TARIFAÇO: Com nova sobretaxa dos EUA, indústria calçadista deve registrar queda de mais de 7% nas exportações totais em 2026; entenda

Calçado ficou de fora da lista de isenções; veja os impactos no setor

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 16/07/2026 às 11h:38 Última atualização: 16/07/2026 às 11h:38
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A aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos penaliza setores que são essenciais para o Brasil e, em especial para o Rio Grande do Sul, como o setor calçadista. A medida foi publicada no dia 15 de julho e passa a ser aplicada a partir de 22 de julho de 2026.

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Mercado da UE é relevante para setor coureiro-calçadista | abc+



Mercado da UE é relevante para setor coureiro-calçadista

Foto: Divulgação/Abicalçados

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestou preocupação com a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

“A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países”, explica o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

A entidade afirmou que seguirá atuando junto ao governo federal, autoridades norte-americanas e às entidades parceiras nos Estados Unidos para buscar “alternativas que minimizem os efeitos da medida, preservem o fluxo comercial e fortaleçam a competitividade da indústria calçadista brasileira.”

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Queda nas exportações totais

A projeção da Abicalçados, após a queda da tarifa adicional de 40% em fevereiro deste ano, indicava retração média de 3,6% nas exportações totais de calçados ao final de 2026. A expectativa era de estabilidade no segundo semestre, compensando parcialmente a queda registrada na primeira parte do ano.

Com o anúncio de nova tarifa adicional sobre o calçado brasileiro destinado aos Estados Unidos, principal destino do setor no exterior, e a consequente perda de competitividade tarifária frente produtos de outras origens naquele mercado, a entidade revisou sua projeção para o ano. 

A estimativa agora é de uma queda média de 7,1%, ao final de 2026, para as exportações totais de calçados. O que representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior.

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Além disso, a medida deve aumentar a “invasão asiática”. “O diferencial tarifário que se amplia entre o calçado exportado pelo Brasil e demais países exportadores reforçará a concentração das compras norte-americanas em origens já dominantes, especialmente asiáticas, em sentido contrário aos interesses dos Estados Unidos de diversificação, resiliência e segurança das cadeias de suprimentos”, lamenta Ferreira.

Entenda o caso

A decisão foi tomada no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Apesar das manifestações apresentadas por entidades, empresas, importadores e varejistas dos Estados Unidos, o setor calçadista não foi incluído na relação de produtos contemplados pelas exceções previstas na medida.

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No dia 7 de julho, a gerente de Relacionamento e Negócios da entidade, Letícia Sperb Masselli, participou da audiência pública promovida pelo USTR, em Washington (EUA), na qual apresentou argumentos técnicos consistentes sobre os impactos de uma eventual nova tarifa, tanto para a indústria calçadista brasileira quanto para o varejo e o consumo nos Estados Unidos, defendendo a exclusão dos calçados brasileiros da medida.

Também se manifestaram contrariamente à aplicação da tarifa sobre os calçados brasileiros representantes da Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), da American Apparel & Footwear Association (AAFA), da United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos, representados pelo JPT Group LLC Bernardo Footwear e Dillard’s Inc.

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Argumentos levados à USTR

Durante a audiência, a Abicalçados destacou que o Brasil exerce um papel complementar e estratégico na cadeia de abastecimento dos Estados Unidos, atendendo segmentos que demandam maior flexibilidade produtiva, diversidade de modelos, prazos reduzidos de entrega, e maior capacidade de resposta ao mercado.

Outro argumento apresentado foi que o calçado brasileiro representa uma alternativa estratégica para diversificar o fornecimento atualmente concentrado na Ásia, em um mercado estruturalmente dependente de importações. Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões de pares, volume equivalente a aproximadamente 1% de seu consumo interno.

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*Com informações da Abicalçados

 

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