A agricultura do RS também será fortemente impactada a partir da cobrança da taxação de 25% pelo governo norte-americano. De acordo com a Farsul, a parcela da pauta agropecuária brasileira impactada é de 32,7%, enquanto no Estado a exposição alcança 70,4%.
Essa concentração elevada, conforme a entidade, decorre da composição específica das exportações do RS, fortemente dependentes de produtos agora submetidos à sobretaxa.

Foto: Junio Nunes/Sinditabaco
O ranking dos produtos mais afetados no agro gaúcho aponta para uma preocupação central: o setor do fumo. Isoladamente, o fumo não manufaturado (tipo Virgínia) lidera a lista de riscos, seguido pela madeira serrada (Pinus), calçados de couro, fumo Burley e sebo bovino.
“Para se ter ideia da concentração, os cinco principais produtos afetados no agro gaúcho respondem por 64% de toda a exposição do setor no estado”, explica a Farsul em nota oficial divulgada na quinta (16).
Alívio parcial
Entre os produtos que ficaram de fora da sobretaxa estão o ferro-gusa, couros bovinos, pescados, mel orgânico, café solúvel sem sabor e a sucata de ferro e aço.
A ampliação dessas exclusões na lista final reduziu a carga total sobre o Brasil, reduzindo a participação das exportações afetadas de 43,7% para 38%. No caso do Rio Grande do Sul, a parcela afetada recuou de 81,1% para 79%.
Na avaliação da Farsul, o mercado deve reagir de diferentes formas, que podem incluir desde a compressão de margens de lucro e repasse de preços até a busca por fornecedores alternativos ou desvio de comércio.
“A partir da próxima semana, o monitoramento será fundamental. Produtores e exportadores deverão acompanhar de perto não apenas a implementação aduaneira da medida, mas também eventuais revisões de escopo que possam ocorrer, impactando contratos e a competitividade dos produtos gaúchos no mercado americano”, completa.
Vestuário
Os EUA representam quase 15% das exportações de Vestuário do RS, conforme o Sindicato das Indústrias do Vestuário do Rio Grande do Sul (Sivergs). A entidade que representa o setor explica que além da queda nos envios, há a concorrência com produtos chineses no mercado nacional.
Entre os segmentos estão mais afetados está o moda praia. O Sivergs conta que o maior concorrente no mercado norte-americano nesse nicho é a Colômbia, grande produtora de linha praia e que possui um acordo bilateral com os EUA.