Com a aproximação do tarifaço de 50% imposto ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, empresários e entidades do setor calçadista se reuniram nesta segunda-feira (4) com o vice-governador, Gabriel Souza (MDB) para discutir alternativas. A reunião teve a participação do secretário do Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, e da secretária da Fazenda, Pricilla Santana.

Foto: Joel Vargas/Ascom GVG
Municípios do Vale do Sinos e Vale do Paranhana contam atualmente com aproximadamente 1,2 mil empresas do setor, tornando-se a região mais impactada pelas medidas do governo dos EUA. O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, e o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do Estado do Rio Grande do Sul (Sicergs), Renato Klein, falaram sobre a necessidade de retomada de medidas do governo federal para incentivar o setor.
O objetivo é que as empresas do setor recebam algum tipo de auxílio ao menos pelos próximos 90 dias. Entre os pedidos estão as linhas de financiamento em dólar com juros internacionais e a ampliação do programa Reintegra para exportadores. Outra medida é a reedição do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEM), utilizado no período da pandemia de Covid-19.
“O vice-governador nos deu orientação para, dentro da competência da Sefaz, analisar o que pode ser feito em relação ao pleito apresentado pelo setor de devolução de crédito tributário acumulado. A secretaria assumiu o compromisso de fazer um estudo sobre o assunto com a maior brevidade possível”, explicou Pricilla.
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Os calçadistas também solicitaram a liberação de créditos acumulados de ICMS, decorrentes da atividade exportadora das empresas. O vice-governador alertou que, por seguir em Regime de Recuperação Fiscal, o Estado não pode ceder incentivos que impactam na arredação, por isso a necessidade de articulação com o governo federal.
“Nosso Estado é um dos mais impactados pela medida – que eu não chamo de tarifa de 50%, mas sim de embargo comercial, já que inviabiliza a exportação dos nossos produtos. Vamos articular com o governo federal uma forma de conceder esse auxílio necessário aos setores sem interferir nos nossos compromissos fiscais já estabelecidos”, explicou Gabriel.
Destaque
Já Ernani Polo salientou a importância do setor calçadista para a economia e geração de empregos no Rio Grande do Sul. “Somos o segundo maior produtor de calçados do país e o maior no segmento de couros. Tendo em vista que cerca de 30% da nossa produção vai para os Estados Unidos, estamos trabalhando intensamente para proteger nossa indústria.”
Em 2024, o calçado ocupou a décima posição entre os mais exportados pelo Estado, com US$ 568,2 milhões em vendas externas. O produto é o sexto item mais exportado pelo RS aos Estados Unidos – destino de 47,5% das vendas internacionais de calçados de couro. Segundo a Abicalçados, o Estado é o maior exportador do produto em valor agregado do Brasil e responsável por mais de 80 mil postos de trabalho diretos e cerca de 100 mil indiretos.e buscar alternativas que minimizem os impactos do cenário atual.”
Os deputados estaduais Issur Koch (PP) e Joel Wilhelm (PP), também estiveram presentes.
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