Depois da formalização política na última sexta (9), a expectativa é de que a assinatura do Acordo Mercosul e União Europeia (UE) seja assinado neste sábado (17), durante encontro dos blocos no Paraguai, país que ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano.

Foto: Agência Brasil
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E será que o consumidor brasileiro terá vantagens com o pacto que cria a maior zona de livre comércio do mundo? Especialistas dizem que sim. Itens como queijo, vinho e chocolate importados estão entre os produtos que vão entrar no mercado nacional com tarifas menores que devem ser zeradas ao longo dos próximos anos e com algumas especificações. Outros alimentos fazem parte da lista como azeites e massas.
Tecnologias também serão importadas por um custo menor. O Sistema Fiergs destaca que, com o acordo, haverá a redução de custos das importações de alta tecnologia, gerando ganhos de produtividade e modernização em áreas que a indústria nacional ainda não atua, além de aumento dos fluxos de investimentos estrangeiros, aperfeiçoamento institucional do Mercosul, entre as oportunidades geradas.
SETOR CALÇADISTA
Para a indústria calçadista brasileira, o acordo é motivo de celebração, pois estabelece uma estrutura estratégica em tempos de instabilidade na política internacional. “O acordo entre os blocos é um sinal em direção à cooperação internacional, sendo benéfico ao setor calçadista brasileiro”, avalia o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira.
O dirigente destaca, ainda, que é esperado que o acordo fortaleça as cadeias de suprimentos, eleve o valor agregado e produza efeitos positivos sobre a indústria calçadista brasileira. “Os calçados de couro, que respondem por 45% dos valores exportados pelo Brasil à União Europeia, devem alcançar a eliminação tarifária total em até sete anos. Além disso, o acordo comercial deve contribuir para uma maior diversificação da pauta exportadora brasileira, abrindo maior espaço nos demais segmentos, como calçados têxteis e sintéticos, cuja tarifa é de 17% nos países da União Europeia”, comenta.
O estudo de impacto do acordo Mercosul – União Europeia publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima um efeito positivo no segmento de calçados e artefatos de couro. Segundo a estimativa, em 15 anos, o acordo deve elevar em mais de 62% as exportações de calçados para a União Europeia.
Já na produção, o impacto positivo pode ser de 3,2% nesse mesmo período – o maior ganho entre os setores da indústria de transformação. “Resumindo, o acordo comercial tende a elevar a inserção e competitividade dos calçados brasileiros no mercado europeu, hoje marcado, além do comércio intra-UE, por forte presença asiática – que representa mais de 50% dos valores importados – e por acordos já vigentes, como o firmado com o Vietnã em 2020″, analisa Ferreira.
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