Atletas de apenas 4 anos, que recém estão dando os primeiros passos no judô, dividiram os tatames com competidores experientes da categoria sênior neste sábado (11), em Sapiranga.
A diversidade de idades e histórias marcou o Campeonato Metropolitano de Judô, etapa regional que reuniu cerca de 600 atletas e vale pontos para o ranking estadual da Federação Gaúcha de Judô (FGJ).

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Representando equipes de cidades do Vale do Sinos, da Região Metropolitana e da Serra, os judocas disputaram uma competição que integra o calendário oficial da federação e serve de caminho para quem sonha em vestir a camisa da seleção gaúcha em campeonatos brasileiros.
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Entre tantas histórias presentes no ginásio Nenezão, uma chamou atenção pela tradição familiar. O pequeno Conrado Corrêa Bordin, de 7 anos, praticamente nasceu dentro do esporte. Filho de dois judocas, ele começou a frequentar o tatame assim que aprendeu a caminhar.
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O pai, Leandro Bordin, um dos organizadores do campeonato e professor da OSS Escola de Artes Marciais, de Sapiranga, conta que a ligação do filho com o judô começou antes mesmo do nascimento. “A mãe dele é faixa-preta de judô. Ela deu aula até os nove meses de gestação. O Conrado aprendeu a andar e a engatinhar em cima do tatame. Desde um ano e oito meses ele treina e já participou de incontáveis competições”, relata.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Segundo Bordin, destaca que o judô é um esporte que desenvolve diferentes competência e valores nos atletas. “Ele gosta de competir, gosta de vencer e, quando perde, fica chateado. Mas o judô ensina justamente isso: saber ganhar, saber perder, respeitar o adversário e abraçar quem te venceu. O judô trabalha disciplina, respeito, autocontrole e liderança. Ele é muito maior do que a competição. Forma cidadãos”, analisa.
Apaixonado pelo esporte, Conrado resume de forma simples o motivo de gostar tanto do judô. “Eu aprendo a me defender”, afirma.
Caminho para representar o Rio Grande do Sul
Presidente da federação gaúcha, Luiz Bayard Martins dos Santos, destaca que o Campeonato Metropolitano, além de somar pontos no ranking, é uma das principais competições regionais da modalidade no Estado, o que justifica adesão de equipes vindas de diferentes cidades, como como Sapiranga, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Estância Velha, Portão, Canoas, Esteio, Caxias do Sul e Bento Gonçalves. As equipes de Porto Alegre não participaram porque disputam, em data separada, o Campeonato Citadino.
Segundo ele, os resultados obtidos ao longo da temporada são fundamentais para quem pretende defender o Rio Grande do Sul em nível nacional. “Os atletas são ranqueados durante o ano e, posteriormente, participam de uma seletiva que define as seleções gaúchas para os campeonatos brasileiros”, coloca.
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Para Bayard, entretanto, o maior legado do judô é outro. “O judô transcende a competição. Ele trabalha disciplina, respeito, hierarquia, educação e desenvolvimento humano. A filosofia do cair e levantar acompanha a pessoa para toda a vida.”
Festival transforma primeiros passos no judô em uma grande celebração
Um dos momentos mais esperados do Metropolitano de Judô aconteceu no início da tarde e sequer valeu pontos para o ranking estadual. Dezenas de crianças que estão iniciando no esporte participaram do tradicional Festival de Judô, criado justamente para proporcionar o primeiro contato com o ambiente de competição.
Voltado aos pequenos judocas em fase de iniciação, o festival tem regras adaptadas. As lutas são mais curtas, a arbitragem conduz os combates de forma educativa e todas as crianças participam de pelo menos duas disputas. Ao final, todos sobem ao pódio e recebem medalha de ouro, sem distinção de classificação.
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Segundo o presidente da federação, o objetivo é incentivar a permanência das crianças no esporte, evitando frustrações desnecessárias logo no início da trajetória. “A gente tem uma responsabilidade muito grande com a iniciação desses nossos grandes pequenos judocas. A frustração faz parte do desenvolvimento, mas ela precisa acontecer no momento certo. Aqui todos participam, aprendem, sobem ao pódio e vivem uma grande festa do judô”, conta.