Hora de separar o joio do trigo
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Com o fim da segunda rodada, fica mais claro separar o joio do trigo nesta Copa. Com um ou outro tropeço, as seleções da primeira prateleira deram seu cartão de visita e tiveram ao menos uma atuação convincente. Nesta lista estão a maioria dos campeões do mundo e Portugal.
No bloco intermediário, algumas seleções decepcionaram. Bélgica é uma delas. A tal geração belga que nos eliminou em 2018 envelheceu e está tendo um desempenho bem abaixo do esperado num grupo acessível. Sorte deles que vão pegar a Nova Zelândia na última rodada. Croácia é outro plantel envelhecido.
Os sul-americanos Uruguai e Equador são outras decepções, considerando as Eliminatórias consistentes. O Equador é um time que tem a capacidade de perder gols de diferentes formas, tendo Enner Valencia como expoente neste quesito. Irrita até quem não é equatoriano. Pelo Uruguai, o técnico Marcelo Bielsa claramente perdeu o grupo. Vulnerável atrás, sem poder de ataque na frente com a lesão de Arrascaeta, deve ser eliminado tendo a Espanha no caminho. E isso com Luís Suárez assistindo de camarote. El Loco do Bielsa está pendendo mais para o sentido negativo ultimamente.

Foto: @aufoficial
Seleções para ficar de olho
O bloco intermediário apresenta surpresas que podem aprontar para os favoritos. Da Europa tem a Noruega, com a consistência característica, mas com o fenômeno Haaland na frente; além da Holanda, que não tem o status de outros tempos, mas conta com nomes habituados a grandes jogos, como o atacante Gakpo, do Liverpool.
Da Ásia o destaque é o sempre organizado e intenso Japão, agora com um plantel espalhado pelo mundo do futebol e com desenvoltura capaz de machucar o adversário. Do continente africano, Marrocos mostrou contra o Brasil que tem talento para enfrentar de igual para igual grandes seleções. Ainda é bom ficar de olho em quem “joga em casa”, especialmente os Estados Unidos, que tem o ex-PSG Mauricio Pochettino como técnico e bons valores em campo.
Da América do Sul, quem pode ir mais longe do que o previsto é a já classificada Colômbia, do lateral Daniel Muñoz, com dois gols na Copa, e do atacante Luis Díaz, ambos jogadores de Premier League. E não esqueçamos dos empáticos Cabo Verde, Congo e Curaçao, que não devem ter vida longa nesta Copa, mas tiveram desempenho mais que digno.
- VEJA TAMBÉM: PELA COPA: a longa recuperação de Neymar, os empates que servem de alerta e a pergunta sobre Endrick
Jogo para dar confiança
Nada como uma Escócia para abrir os caminhos para o Brasil. Nossa seleção fez o melhor jogo nesta fase de classificação ontem. Com marcação pressão, o Brasil teve amplo domínio do jogo e Vini Jr se credencia a postulante de craque da Copa, ao lado de nomes como Messi, Mbappé e Haaland. Com Neymar num momento final da carreira, Vini assumiu o papel de referência técnica no time brasileiro. Lembrando que, justificadamente, ele vinha sofrendo críticas por não ser o Vini do Real Madrid na seleção. Mas não tinha melhor hora para fazê-lo: durante a Copa.

Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP
Outros destaques do Brasil
Além de Vini, o Brasil tem mais motivos pra comemorar. Rayan, que assumiu a vaga do lesionado Raphinha, foi participativo no ataque e na defesa e garantiu um passe pra gol. Bruno Guimarães teve duas assistências na partida e se consolida no meio. Matheus Cunha marcou seu terceiro gol nesta Copa.
E o Neymar, como foi?
Com o jogo resolvido, Neymar entrou em campo aos 30 minutos do segundo tempo. Mostrando falta de ritmo de jogo, perdeu duas bolas no meio que geraram contra-ataques da Escócia e faltas de Danilo e Fabinho – volante levou cartão amarelo. Mas com a bola, demonstrou o talento habitual, flutuando pelo campo e buscando aproximação com Vini, que quase marcou mais um numa enfiada de bola de Neymar. Cobrou escanteios perigosos, chegou a finalizar a gol e amarelou um escocês. Um bom começo.
Convocado pelo LinkedIn
A migração pelo mundo gera histórias curiosas nesta Copa. Uma delas é a “convocação” de um jogador pelo LinkedIn. Aconteceu em Cabo Verde, que empatou com a Espanha e o Uruguai. Nascido e criado em Dublin, na Irlanda, o zagueiro Roberto “Pico” Lopes recebeu uma mensagem do técnico da seleção africana em 2018, querendo saber se ele tinha interesse em defender Cabo Verde, já que possui ascendência cabo-verdiana.
Só que a mensagem estava em português, idioma falado em Cabo Verde, e Pico ignorou o tal e-mail. Meses depois, outra mensagem foi enviada em inglês, abrindo caminho para a trajetória de Pico na seleção cabo-verdiana. “Achei que a mensagem era um spam. Eu deveria ter usado o google tradutor antes”, brincou o zagueiro, em entrevista ao site da Fifa.
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