Quase um mês sem bola
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Nesta terça-feira (16), marcaria 30 dias que Neymar não tocava numa bola de futebol. A última vez havia sido na partida contra o Coritiba, quando o camisa 10 do Santos sentiu a panturrilha. Ainda bem que fizeram lambança na substituição e ele saiu do jogo. Deram uma chance de recuperação. Na terça, pela primeira vez nesta preparação para a Copa, ele fez exercícios no campo e, finalmente, bateu uma bola. Tenho pra mim que a ida a campo foi mais midiática do que algo dentro da programação da recuperação, já que se projeta que ele só possa jogar na segunda fase. Não veria problema em levar um atleta com uma lesão séria, apesar das primeiras informações do Santos e da CBF sinalizarem o contrário, desde que se jogasse limpo e valesse o esforço. Carlo Ancelotti sempre frisou que só convocaria jogadores aptos fisicamente. Mas claramente nunca foi o caso de Neymar.

Foto: Rafael Ribeiro e Nelson Terme/CBF
Exercício de fé
A geração playstation vai dizer que é Neymar, que vale a pena o esforço. Ok, o Neymar do imaginário coletivo devia ser titular. Ocorre que o camisa 10 não mostrou nada nos últimos anos que dê a esperança de que vai fazer a diferença. Muito pelo contrário. Lesões em série, desempenho pífio na Arábia Saudita e luta contra o rebaixamento no Brasileirão, onde sua performance esteve longe de mudar o patamar do Santos. Enquanto isso, Wesley foi devidamente cortado por lesão e não temos um lateral direito de ofício. Falta um meia armador em condições de jogo. Nosso centroavante cabeceia o vento. Hoje, acreditar em Neymar é um mero exercício de fé, como bem escreveu o jornalista Carlos Mansur. Enfim, saudade do que a gente já viveu, Ney.
Empates servem de alerta
Os empates de Brasil e Espanha mostram que não tem jogo jogado em Copa do Mundo. No caso do Brasil, era esperada a dificuldade diante da melhor seleção do continente africano. Já em relação à Espanha a situação é diferente. A atuação do goleiro Vozinha foi decisiva para o empate, o alçando ao primeiro herói desta Copa. Ainda assim, fica claro que quem entrar de pé mole em campo vai dançar. Quem confirmou o favoritismo e se impôs foi a França. Mbappé superou Pelé em gols em Copa.

Foto: Divulgação
Melhor atuação
Até o momento em que escrevo, o melhor futebol que eu vi na Copa (tirando o segundo tempo da França na terça) foi o dos EUA contra o Paraguai. Tudo bem que a seleção sul-americana facilitou a vida do países-sede, deixando de lado a força defensiva vista nas Eliminatórias. No entanto, a nação do soccer tem bons valores, como já demonstrado no amistoso pré-Copa contra a Alemanha, quando perdeu por 2 a 1, mas endureceu o confronto e chegou a acuar a tetracampeã. Jogando em casa, os EUA podem ir longe.
Gatilho na torcida colorada
Apesar de fazer um jogo animado contra Costa do Marfim, com chances para todos os lados, o Equador cansou de perder gols. E como diz Muricy Ramalho: a bola pune. O gol no fim da Costa do Marfim premiou quem foi mais eficiente. A torcida colorada deve ter tido gatilho com Enner Valencia, que, assim como no Internacional, perdeu gols pela seleção.
Lembrou o Grêmio
Se Enner Valencia dá gatilho nos colorados, a “marcação de olho” do meio-campo da seleção brasileira fez lembrar o Grêmio de Luís Castro aos tricolores. A falta de pegada que expôs a zaga do Brasil no confronto contra o Marrocos foi um retrato do que os gremistas enfrentam na temporada. Sem um meio-campo contundente, ninguém vai muito longe. Este foi o grande mérito da Argentina na Copa passada. Ainda dá tempo para Ancelotti organizar melhor a seleção e tentar ter um time mais competitivo. A saída de Casemiro e a entrada de Fabinho é o primeiro passo. Mas não o único.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF
O que acontece com Endrick?
A teimosia de Ancelotti de não colocar Endrick em campo, mesmo com toda a estrela do garoto, que, quando entra, faz gols, gera muitas ilações. A primeira delas, até pelo histórico de outros treinadores que fizeram o jovem talento amargar o banco de reservas, é a questão comportamental. Afirmações como a de Casemiro, de que Endrick não é do grupo, ajudaram a criar uma narrativa de que o rapaz tem o rei na barriga. Mas será isso mesmo?
Já circulou na imprensa que cobre a seleção nos Estados Unidos que o problema seria a desobediência tática de Endrick. Mas seja marra ou falta de obediência tática, o que você prefere: um centroavante que erra cabeceada na pequena área ou um que quando entra mete gol?
Falta transparência
A questão Endrick me lembra um pouco o episódio de Pedro no Flamengo. Outro centroavante tido como pouco afeito a questões táticas, mas que sempre fez sua atividade-fim: gols. Ao menos no caso de Pedro, o técnico Filipe Luís teve, na ocasião, a transparência de dizer que não o colocava em campo pela falta de dedicação nos treinamentos. Deu o que falar por não ser usual dizer a verdade no futebol, mas esclareceu a situação ao torcedor. Será que algum dia um técnico será transparente sobre o que acontece com Endrick?
- VEJA TAMBÉM: PELA COPA: o infortúnio de El Diablo Etcheverry, a política migratória dos EUA na Copa e 25 dias sem Neymar
Fora de campo
A boleirada já sofreu com o jornalista especializado em fofocas Leo Dias, que o diga o pessoal do Internacional. Mas agora, em plena Copa, ele não mirou em campo não. Conforme o jornalista, o presidente da CBF, Samir Xaud, bancou despesas da esposa na Cidade México e de uma suposta amante em Nova York, durante a Copa. Em nota oficial, a CBF rejeitou “as informações de suposto uso indevido de verbas da entidade”.
Não é o primeiro nem o maior escândalo envolvendo o cargo máximo do futebol brasileiro. A CBF já teve presidentes preso pelo FBI, banido do futebol e acusado de assédio sexual e moral.
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