“Dois pontinhos verde-amarelos no meio do vermelho da Noruega.” É assim que a hamburguense e ex-repórter do Jornal NH Giordanna Vallejos, de 31 anos, descreve sua experiência acompanhando a Copa do Mundo na Noruega, para onde se mudou há dois anos para fazer um mestrado em Práticas de Mídia.
A brasileira mora com o marido, o também jornalista Cleiton Zimer, de 31 anos, na cidade de Volda — a mesma onde nasceu o goleiro norueguês Ørjan Nyland. É neste domingo (5), às 17 horas, que os dois times se enfrentam nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026.
“A atmosfera aqui é de festa. A maioria dos noruegueses está feliz em enfrentar o Brasil e consideram isso importante. Eu e meu marido não temos uma preparação especial, mas temos a bandeira do Brasil decorando a sala de casa e uma pequena bandeira da Noruega”, conta.
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“Obviamente, vamos torcer para o Brasil, nossa terra, mas também ficaremos em parte felizes caso a Noruega vencer, pois é o nosso lar agora. Provavelmente vamos em um bar local para torcer pela seleção”, continua.
Remada viking e torcida saudável
Giordanna observa que, no país europeu, a arrogância não tem vez. “Quase todo norueguês que encontro agora faz questão de me lembrar que nunca perderam para o Brasil, mas em forma de brincadeira. Já vi muitos Noruegueses usando a camiseta da seleção brasileira, muitos deles sabem o nome de grandes jogadores do nosso país”, descreve.
“Então acho que existe uma admiração e que agora virou uma competição saudável entre as seleções. Eles têm a remada viking, que eu pessoalmente acho linda, presenciei diversas crianças fazendo isso aqui em Volda. Mas nada se compara ao caos perfeito da torcida brasileira”, continua.
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A jornalista descreve que, mesmo com o sentimento de confiança dos adversários, o clima na Noruega é de respeito. “Estão confiantes justamente por nunca terem perdido para a seleção brasileira e pela evolução do time norueguês ao longo dos anos. Mas eles dificilmente vão dizer que são melhores, pois a humildade é um valor imenso por aqui.”
Cultura da humildade
Indo de encontro à descrição de Giordanna, a estudante norueguesa Olivia Inez Branstad, de 25 anos, afirma que a humildade é um fator cultural importante no país. “Na Noruega, nós temos uma norma social chamada “Lei de Jante”, que envolve não pensarmos que somos melhores do que qualquer pessoa e de sermos modestos com todos”, diz.
“Mas neste verão estamos indo tão bem na Copa do Mundo que essa regra foi jogada pela janela de alguma forma e nós estamos mais confiantes do que nunca! É legal de ver e talvez a remada esteja decolando, nós vamos remar pelo mundo todo”, brinca.
Confiante ou não, Olívia admite um pouco de nervosismo pela próxima partida. “É claro que estou nervosa, o Brasil é um time forte, mas a diversão da Copa do Mundo é que as equipes mudam a cada geração, e no meu caso, é a primeira vez vendo a Noruega se classificar, então tem sido divertido acompanhar”, comenta.