Efeitos severos no tempo causados por um rio atmosférico de grande intensidade causa estragos no Chile desde a quarta-feira (15). Segundo a MetSul, o evento é favorecido pelo primeiro grande episódio de tempo severo associado ao El Niño 2026-2027.
Ao menos três pessoas morreram, cinco ficaram feridas e 76 estão desabrigadas ou desalojadas em um episódio que meteorologistas descrevem como o sistema frontal mais prolongado e com precipitações mais intensas registrado no país em cerca de duas décadas.

Foto: Redes sociais
LEIA TAMBÉM: Extremos de chuva e calor: Previsão para o resto de julho tem mais volumes excessivos ao RS
A tempestade, impulsionada por ventos superiores a 100 km/h e forte ressaca marítima, afeta cerca de dois terços do território chileno.
As autoridades alertam que o pior ainda está por vir: a previsão é de que as condições adversas persistam pelo menos até domingo (19), mantendo elevados os riscos de alagamentos, deslizamentos, interrupções no fornecimento de energia elétrica e danos provocados pelo mar agitado.
CLIQUE PARA LER: Defesa Civil coloca metade do RS em alerta para temporais; Região Metropolitana e Vale do Sinos ficam em área de atenção
Ondas invadem casas e grua desaba
O ministro do Interior, Claudio Alvarado, confirmou as três mortes e fez um apelo à população para que siga rigorosamente as orientações dos órgãos de emergência e evite deslocamentos desnecessários.
Segundo ele, as condições mais severas do sistema frontal ainda estavam por ocorrer no momento em que falou.
O Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred) informou que, além das vítimas fatais, outras 231 pessoas precisaram ser acolhidas em abrigos temporários, sobretudo em razão de evacuações preventivas.
As regiões de Maule, Biobío e La Araucanía concentraram os casos de feridos e desalojados registrados até o momento.
Na região de Biobío, enormes ondas avançaram sobre bairros costeiros, invadindo residências e arrastando móveis, cercas e objetos pelas ruas.
Uma moradora relatou à agência France-Presse o momento em que acreditou não sobreviver. “As ondas entravam pela janela levando tudo junto.
VEJA AINDA: Cidades do Vale do Sinos lideram ranking das mais quentes do RS nesta quinta; veja a lista
Em determinado momento, abracei minha filha para me despedir porque achei que aquele seria o nosso fim”, contou, ainda bastante abalada após perder praticamente todos os bens da residência.
Em Coquimbo, uma grande grua utilizada em obra desabou por causa das rajadas de vento e caiu sobre seis casas. Nenhuma pessoa ficou ferida, mas os danos materiais foram expressivos.
O governo chileno abriu investigação para apurar as causas do desabamento; autoridades locais já haviam emitido orientações para que equipamentos desse tipo fossem protegidos diante da previsão de ventos extremos.
Alertas de raios
A Direção Meteorológica do Chile emitiu alerta para possibilidade de tempestades com raios em quatro regiões do centro do país; Coquimbo, Valparaíso, Metropolitana e O’Higgins.
O cenário amplia as preocupações das equipes de emergência que já operam em regime intensivo desde o início da tempestade.
O presidente José Antonio Kast afirmou que milhares de servidores públicos estão mobilizados para prestar assistência às populações atingidas e confirmou viagem às regiões de Biobío e Maule para acompanhar os trabalhos de resposta e avaliar a extensão dos danos.
As autoridades mantiveram a suspensão das aulas nesta sexta-feira (17) em diversas regiões, de Atacama até La Araucanía, enquanto equipes continuam monitorando rios, encostas e áreas costeiras.
Perguntas e respostas para entender o El Niño e os impactos pelo mundo
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando as águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que a média e os ventos alísios, que sopram de leste para oeste, enfraquecem. Essa combinação altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em diferentes partes do planeta. Os episódios costumam ocorrer, em média, a cada três a cinco anos.
Qual é a diferença entre El Niño e La Niña?
Os dois fenômenos são opostos. No El Niño, as águas do Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Já na La Niña, ocorre o resfriamento dessas águas, acompanhado pelo fortalecimento dos ventos alísios. Cada um provoca efeitos diferentes sobre o regime de chuvas e as temperaturas em diversas regiões do mundo.
Como o El Niño afeta o clima?
O aquecimento do Pacífico modifica a circulação da atmosfera e altera os padrões de chuva e temperatura em vários continentes. Dependendo da região, pode provocar secas, chuvas acima da média, tempestades severas ou períodos de clima mais ameno.
Quais são os impactos do El Niño no Brasil?
Os efeitos variam conforme a região. No Sul do Brasil, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuva excessiva, enchentes e cheias de rios. Já no Nordeste, normalmente favorece períodos de estiagem e reduz os volumes de chuva.
O El Niño pode afetar a economia?
Sim. As mudanças no clima podem influenciar a produção agrícola, o abastecimento de alimentos, os preços de produtos, a ocorrência de incêndios florestais e até gerar impactos econômicos e sociais mais amplos. Em casos extremos, fenômenos climáticos podem agravar crises humanitárias e conflitos em diferentes partes do mundo.
O El Niño foi o responsável pela tragédia climática no Rio Grande do Sul em 2024?
O El Niño teve papel importante ao favorecer um cenário de chuva intensa, mas não foi o único responsável. A catástrofe ocorreu devido à combinação de diversos fatores atmosféricos e oceânicos que atuaram ao mesmo tempo, tornando aquele episódio excepcional.
Todo El Niño provoca enchentes como as de 2024?
Não. Cada episódio de El Niño tem características próprias e seus impactos variam de intensidade. Embora o fenômeno aumente o risco de chuva acima da média no Sul do Brasil, não é possível afirmar com antecedência que uma tragédia semelhante à de 2024 voltará a ocorrer, já que eventos extremos dependem da interação de diversos fatores climáticos.
De onde surgiu o nome “El Niño”?
O nome surgiu no século XIX entre pescadores da costa do Peru. Eles perceberam que, em alguns anos, uma corrente de águas mais quentes aparecia próximo ao Natal e reduzia a quantidade de peixes capturados. Em referência ao nascimento de Jesus Cristo, passaram a chamar o fenômeno de “El Niño”, expressão em espanhol que significa “o menino”.