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CIÊNCIA

Terra está se abrindo? O que cientistas descobriram no fundo do oceano e por que isso não é uma má notícia

Entenda como ruptura das placas foi flagrada e por qual motivo isso é importante

Publicado em: 03/11/2025 às 11h:12 Última atualização: 03/11/2025 às 11h:13
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A Terra está se abrindo? Essa questão é uma das perguntas mais feitas desde que cientistas conseguiram observar uma zona de subducção com clareza, enquanto se fragmentava, no noroeste do Pacífico. Tecnicamente, parte da placa tectônica foi partida no local. Mas isso não significa que a descoberta é uma má notícia.

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Observação foi descoberta no fundo do oceano, no noroeste do Pacífico | abc+



Observação foi descoberta no fundo do oceano, no noroeste do Pacífico

Foto: Freepik

Antes de tirar qualquer conclusão sobre, é preciso entender que as zonas de subducção são pontos de colisão entre duas placas tectônicas, onde uma fica embaixo da outra. E elas estão entre as forças mais poderosas do planeta.

Essas zonas são responsáveis por impulsionar os continentes pelo globo e desencadear terremotos e erupções vulcânicas devastadoras, conforme a Faculdade de Ciências da Universidade de Louisiana (LSU), nos Estados Unidos.

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Mas é importante notar que elas não duram para sempre. E é exatamente isso que intriga tanto a comunidade científica: como exatamente esses sistemas acabam? Segundo Brandon Shuck, geólogo da LSU e principal autor do estudo, é necessário algo drástico. “Basicamente, um acidente de trem.”

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Ao observar a zona de subducção de Cascadia, que fica na costa da Ilha de Vancouver, eles conseguiram chegar a algumas conclusões sobre. Nela, eles puderam ver as placas Juan de Fuca (JdF) e Explorer (Exp) se movendo lentamente embaixo de outra, denominada como Norte-Americana.

Cientistas bservaram a zona de subducção de Cascadia, na costa da Ilha de Vancouver | abc+



Cientistas bservaram a zona de subducção de Cascadia, na costa da Ilha de Vancouver

Foto: ScienceAdvances/Reprodução

Para isso, eles combinaram imagens de reflexão sísmica, que é basicamente um “ultrassom” do subsolo, e registros de terremotos. E esse processo mostrou que a zona estava se partindo.

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“Iniciar uma zona de subducção é como tentar empurrar um trem ladeira acima: exige um esforço enorme”, explica Shuck. “Mas, uma vez em movimento, é como se o trem estivesse descendo uma ladeira em alta velocidade, impossível de parar.”

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O trem não descarrila de uma só vez

Apesar de teorizar que seria necessário um “acidente de trem” para que o processo parasse, a pesquisa publicada recentemente revelou uma imagem diferente. “Em vez de se extinguir completamente de uma vez, a placa está se quebrando aos poucos, criando microplacas menores e novas fronteiras”, diz.

Nas placas oceânicas observadas, a equipe viu um deslocamento enorme, com cerca de 5 quilômetros. No entanto, a zona ainda não se rompeu completamente. E apenas quando isso acontecer é que não haverão mais terremotos. “Porque as rochas não estão mais unidas”, afirma.

No processo de ruptura que acontece em partes e é chamado também de “episódico”, a placa que afunda embaixo da outra age como uma espécie de tesoura natural, cortando a placa e permitindo que um pedaço se desprenda e forme a microplaca.

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Quando os pedaços menores se desprendem, a placa maior perde o impulso e eventualmente para de ser puxada para baixo. “Em vez de um grande desastre, é como assistir a um trem descarrilar lentamente, um vagão de cada vez”, completa Shuck.

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Ainda assim, o processo é demorado. Cada pequeno pedaço leva milhões de anos para se soltar. Quando todos se desprendem, a zona de subducção é desativada.

Sim, a Terra está “se abrindo”. Não, isso não é o fim do mundo. Então por que isso importa?
A descoberta de como essa fragmentação acontece não ajuda apenas a entender como acontece o fim de uma zona de subducção. Ela também explica as características, até então vistas como misteriosas, de outros locais da Terra.

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Além disso, esses pedaços de placas que se soltam remodelam a superfície da Terra, podendo criar “janelas” por onde o manto sobe, alimentando erupções e atividades vulcânicas.

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Primeira vez

Pela primeira vez, uma imagem clara flagrou uma zona de subducção enquanto “morre”, como afirma Shuck. O estudo foi publicado na revista científica Science Advances em setembro deste ano.

Os dados sísmicos usados nele foram coletados do Experimento de Imagem Sísmica de Cascadia de 2021 (CASIE21, na sigla em inglês), que foi financiado pela National Science Foundation (NSF). Foi durante ele que os locais onde a placa tectônica está literalmente se partindo ao meio foram revelados.

No estudo de 2021, os pesquisadores enviaram ondas sonoras de um navio de pesquisa para o fundo do mar e registraram os ecos usando um cabo de 15 quilômetros de comprimento com dispositivos de escuta subaquáticos.

Agora, os pesquisadores querem entender se um grande terremoto conseguiria romper totalmente uma dessas fissuras recém-descobertas. Eles também tentam descobrir se essas fissuras podem influenciar a propagação de rupturas.

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