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CARTOGRAFIA

Brasil no centro: A mensagem por trás do mapa-múndi invertido lançado pelo IBGE

Dentre muitos assuntos que dominaram as redes sociais durante 2025, está o mapa-múndi do IBGE

Publicado em: 27/11/2025 às 10h:27 Última atualização: 27/11/2025 às 10h:28
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Dentre muitos assuntos que dominaram as redes sociais durante 2025, está um mapa-múndi, que não tem nada de simples. Lançado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em abril deste ano, ele deixa um questionamento: tem jeito certo de ver o mundo?

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Dentre muitos assuntos que dominaram as redes sociais durante 2025, está novo mapa-múndi do IBGE | abc+



Dentre muitos assuntos que dominaram as redes sociais durante 2025, está novo mapa-múndi do IBGE

Foto: IBGE/Reprodução

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Publicado em português e em inglês, o mapa-múndi colocou o País no centro do mundo de maneira invertida. “Ele traz uma nova perspectiva do planeta, destacando o papel do Brasil no Sul Global”, explica o IBGE.

O Sul Global é um termo usado pelo Brasil e outros países em desenvolvimento, o que engloba mais ou menos 150 nações. “Ele refere-se a países que compartilham características políticas e econômicas”, afirma o governo federal.

No geral, é usado por nações que iniciaram os processos econômicos e de desenvolvimento mais tarde do que outras. “Durante muito tempo, foram descritos como ‘terceiro mundo’ ou ‘subdesenvolvidos’, mas o mundo mudou.”

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Além do Brasil no centro do mundo, o instituto afirmou que o mapa também traz um maior destaque para Brics, Mercosul, países de língua portuguesa e bioma amazônico.

O mapa-múndi também coloca Rio de Janeiro como capital dos Brics, Belém como a sede do COP 30 e Ceará como sede do Triplo Fórum Internacional da Governança do Sul Global.

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Lançamento polêmico

“Não entendi porque colocar de ponta-cabeça. De querer colocar no centro, é ok. Aqui na Austrália, os mapas têm ela no centro, mas colocar o mapa de ponta-cabeça é querer trocar a ordem dos hemisférios”, afirmou uma brasileira nas redes sociais na época do lançamento em 8 de maio de 2025.

Ela não foi a única. Muitos questionaram o novo mapa-múndi assim que foi lançado pelo IBGE. “Falta do que fazer dá nisso mesmo”, escreveu um homem sobre. “O Brasil no centro do mapa é legal, mas virar de cabeça pra baixo foi ridículo”, disse outra.

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Muitas das reclamações eram acusações sobre o mapa-múndi estar supostamente errado. Enquanto isso, outras pessoas discutiam ferrenhamente contra as acusações. “Falta de entender cartografia dá nisso”, respondeu um homem a uma das reclamações.

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Mas afinal, o mapa-múndi invertido está errado?

Há séculos, os homens já registravam o espaço onde viviam, mesmo quando tinham apenas as paredes das cavernas para isso. 

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Com o tempo, a maior parte da humanidade se acostumou a ver a América do Norte no lado Norte, enquanto a do Sul sempre ficaria no Sul. Porém, essa não é a única representação possível, nem a única forma que já foi registrada durante a história.

“Na verdade, não existe uma razão técnica para colocar os pontos cardeais nas direções convencionais e, portanto, a representação tradicional é tão correta quanto a invertida”, completa o IBGE. Assim, o mapa-múndi lançado este ano não está errado.

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Estabelecida pelo astrônomo Ptolomeu, a convenção cartográfica que coloca o Norte para cima e o Leste para a direita foi adotada por outros cartógrafos, como Mercator e Waldseemüller. “Mas existem mapas que têm outra orientação e onde o Norte não está no topo. É o caso, por exemplo, dos medievais ou de alguns feitos por outras culturas.”

Por que um mapa invertido?

Segundo a pesquisadora Nicole De Armendi em um artigo, os mapas são erroneamente interpretados como cientificamente precisos. Eles refletem “contornos geográficos arbitrários, funcionando como equipamentos visuais que normalizam visões de mundo singulares”.

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Nos mapas modernos, a inversão está relacionada a questões de reivindicações políticas, geralmente feitas por países que estão no Hemisfério Sul. A orientação deles “afirma posições de poder, traça certas redes globais e estabelece relações hierárquicas entre as nações e os continentes”.

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Em 2024, ano em que o Brasil sediou o G20, um mapa-múndi com o País no centro do globo foi lançado pelo IBGE. “Nós nos acostumamos a sermos eurocentristas e ser eurocentrista não é ser brasileiro. Marcamos, com esta nova versão do mapa, uma nova postura e uma nova ideia”, disse o então Diretor da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável do RJ, Paulo Protasio, na época.

Já o invertido foi lançado neste ano, no momento em que o Brasil é presidente do Brics e do Mercosul, além de sediar a COP 30, que ocorreu recentemente.

Como comprar o mapa-múndi invertido

Quem gostou da ideia, pode comprar o mapa-múndi invertido na loja do IBGE:

  • pelo site: https://loja.ibge.gov.br/;
  • fisicamente: Palácio da Fazenda – Sobreloja 1, Centro/Castelo – Rio de Janeiro/RJ -;CEP: 20020-010.

Quando adquirido de forma online, os prazos para entrega são variados.

Para ter mais informações sobre os preços e horários, é preciso entrar no site oficial do IBGE. Ou pelos seguintes canais:

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