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INDÚSTRIA BRASILEIRA

Reformas fiscais na Argentina favorecem exportações brasileiras; veja como fica o calçado neste cenário

Veja análise apresentada durante Congresso Brasileiro de Comércio Exterior, promovido pelo Sistema Fiergs

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 26/11/2025 às 15h:20 Última atualização: 26/11/2025 às 15h:20
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As reformas fiscais do governo Javier Milei na Argentina e a redução de burocracias para importações têm favorecido as exportações brasileiras, especialmente as gaúchas. A análise sobre o cenário econômico do país vizinho e as oportunidades para o Brasil foram apresentadas nesta quarta-feira (26), no segundo dia do Congresso Brasileiro de Comércio Exterior, promovido pelo Sistema Fiergs.

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Javier Milei | abc+



Javier Milei

Foto: Divulgação

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De acordo com o economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio, as reformas estão favorecendo o aumento da produção industrial argentina, que depende de produtos brasileiros para sua cadeia produtiva – o que ajuda a explicar o crescimento de 48,7% nas exportações da indústria da transformação do Rio Grande do Sul para a Argentina entre janeiro e outubro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024.

“Temos uma relação consolidada com a Argentina, mas as mudanças fiscais têm trazido resultados positivos”, afirmou.

Baggio também destacou a queda nos gastos públicos, com a Argentina fechando nove meses consecutivos de superávit primário, e o controle da inflação, que atingiu um pico de quase 300% no ano passado, após a liberação de preços administrados e tarifários – movimento que gerou um salto inicial, mas corrigiu distorções acumuladas.

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Em setembro deste ano, a inflação na Argentina recuou para 32,5%. “O governo Milei promoveu forte ajuste fiscal, queda de inflação e reorganização macro, criando um ambiente mais favorável ao crescimento econômico e ao setor produtivo”, avaliou.

Fatores que facilitaram as importações

O diretor-geral da Câmara dos Importadores da República Argentina (Cira) e membro do Conselho da Agência Argentina de Investimentos e Comércio Internacional, Fernando Furci, destacou a normalização regulatória do país como um dos principais fatores que facilitaram as importações e melhoraram a competitividade.

A eliminação do Sistema de Importações da República Argentina (Sira) e das Licenças Não Automáticas (LNA), a redução massiva de tarifas, o fim do Imposto Pais para bens e a integração aduaneira digital reduziram barreiras e aceleraram o processo de importação. “Menos barreiras é mais comércio real”, disse.

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Para ele, o ambiente atual abre mais espaço para bens de capital e insumos brasileiros. “Um mercado argentino mais saudável é um mercado brasileiro maior. A Argentina voltou a ser um destino viável para exportar a partir do Brasil”, avaliou.

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Exemplo na prática

A indústria gaúcha Termolar é um exemplo disso. O gerente de Exportação da empresa, Elias Kerpen, informou que a marca, já bastante difundida no mercado argentino, vive um “processo muito mais fluido” para vender ao país vizinho, com menos burocracia e maior facilidade para ampliar sua capilaridade.

Ele pondera, entretanto, que o menor poder de consumo reduz a velocidade de giro dos produtos nas prateleiras.

E o calçado?

A Argentina segue como um dos principais destinos do calçado brasileiro, mas os reflexos das reformas fiscais ainda não são significativos no setor. No mês de setembro o país ultrapassou os Estados Unidos como o principal destino do produto verde-amarelo no exterior. Ainda assim, registrou queda nos embarques. No mês 9, os hermanos importaram 1,6 milhão de pares por US$ 19,27 milhões, quedas tanto em volume (-25,9%) quanto em receita (-24,8%) em relação ao mesmo mês de 2024.

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No acumulado do ano, a Argentina segue atrás dos Estados Unidos, tendo importado a soma de 10,97 milhões de pares por US$ 154,96 milhões, incrementos de 22% em volume e de 0,5% em receita na relação com o ínterim correspondente de 2024.

 

 

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