abc+

MEIO AMBIENTE

Famoso santuário de espécies únicas como tartarugas-gigantes pode dividir título com ilhas oceânicas brasileiras

Assim como Galápagos, estudo revela presença massiva de espécies exclusivas em Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo e Trindade

Publicado em: 10/09/2025 às 11h:27 Última atualização: 10/09/2025 às 11h:27
Publicidade

Assim como Galápagos, no Oceano Pacífico, famoso santuário de espécies únicas, como as tartarugas-gigantes e as iguanas-marinhas, ilhas oceânicas brasileiras, como Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo e Trindade, podem passar a dividir o título de mais diversas do planeta.

Publicidade

O estudo Escalas de Endemismo Marinho em Ilhas Oceânicas e o Endemismo Provincial-Insular, publicado na quarta-feira (10) pela plataforma científica Peer Community Journal, destaca a presença massiva de espécies exclusivas e de grande relevância para a ciência nas ilhas oceânicas brasileiras.

Ilhas brasileiras: estudo revela presença de espécies exclusivas | abc+



Ilhas brasileiras: estudo revela presença de espécies exclusivas

Foto: Agência Brasil

Feriados 2026: Brasileiros terão 6 finais de semana prolongados; veja a lista

Muitas novas espécies

“O trabalho de campo tem contribuído para um levantamento mais apurado da nossa biodiversidade. Temos encontrado e descritos muitas novas espécies que são endêmicas, exclusivas das nossas ilhas. E, com isso, a gente observa que as ilhas brasileiras têm uma importância mundial muito grande em relação à proporção dessas espécies endêmicas”, explica o pesquisador da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), Hudson Pinheiro, que liderou o estudo.

Junto com a equipe, que conta com diversos pesquisadores do mundo, Pinheiro analisou mais de 7 mil espécies de peixes recifais em 87 ilhas do mundo. E entre as conclusões os pesquisadores revelaram que 40% das espécies são presentes em mais de uma ilha da mesma região, mas não colonizam áreas continentais próximas.

Publicidade

CLIQUE PARA LER: Elimine a gordura no fígado – 5 hábitos recomendados pelos médicos para evitar e controlar a esteatose hepática

A partir dessa descoberta, o grupo propõe um novo conceito científico de Endemismo Provincial-Insular, que levaria essas espécies a serem consideradas endêmicas.

Segundo Pinheiro, o termo traria mais interesse às localidades que não ganharam a fama de serem centros de endemismo e, portanto, atraem menos estudos e iniciativas de conservação.

Publicidade

O pesquisador explica que o mesmo comportamento é tratado pela ciência de forma desigual.

Por exemplo, a Ilha de Fernando de Noronha tem algumas espécies que só ocorrem ali, mas também tem muitas espécies que ocorrem ali e na Ilha do Atol das Rocas. Ou somente em Fernando de Noronha e na Ilha de São Pedro e São Paulo. Então, elas compartilham algumas espécies que não estavam sendo contadas como endêmicas, diz.

Publicidade

LEIA TAMBÉM: Nova espécie de escorpião minúsculo surge no Brasil; animal tem menos de 2 centímetros

Vulnerabilidade

Para Pinheiro, esse olhar mais detalhado da ciência sobre as espécies que habitam as ilhas oceânicas, além de permitir uma maior compreensão dos processos evolutivos e ecológicos em ambientes recifais, também permite a descoberta de mais espécies endêmicas.

“As Ilhas oceânicas são locais muito mais difíceis de serem estudadas do que a costa continental, que está aqui mais perto da gente. As Ilhas Oceânicas dependem de expedições científicas e consequentemente acabam tendo menos oportunidades de estudos. Então, corre o risco de algumas espécies já terem sido até mesmo extintas antes de serem descobertas”, afirma.

Publicidade

As mudanças climáticas ocasionadas pelo aquecimento global reforçam a urgência do avanço desses estudos, diz o cientista.

No continente, com o aquecimento mais intenso ocorrendo nos trópicos, muitas espécies são capazes de migrar para regiões de latitudes mais altas, e, portanto, mais frias.

Publicidade

Ou seja, é possível ocorrer uma transição dos ambientes marinhos, ou espécies que conseguem migrar. Mas em ilhas oceânicas, isso não ocorre, explica.

VIU ISSO? Novo chip 6G promete internet 50 vezes mais rápida que o 5G; veja previsão para chegar ao Brasil

Publicidade

Cooperação

Para o cientista, essa vulnerabilidade das espécies que habitam as ilhas oceânicas exigem um esforço coletivo que viabilize iniciativas de apoio à pesquisa nessas regiões.

Ele explica que os resultados apresentados pelo grupo de cientista só foram possíveis pelo empenho da Marinha do Brasil, com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e organizações sociais que apoiam as pesquisas.

“Ao revelar a riqueza do endemismo nas ilhas brasileiras, reforçamos a urgência de proteger esse patrimônio. Não se trata apenas de evitar que a biodiversidade desapareça, mas de assegurar que o oceano continue a fornecer recursos, regular o clima e inspirar novas soluções para o futuro”, afirma Marion Silva, gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.

Outra iniciativa que levou ao avanço das pesquisas nas ilhas brasileiras foi a criação da primeira estação de mergulho científico mesofótico da América Latina, pelo Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (Cebimar USP), que preparou os pesquisadores para a coleta de dados e a observação de ambientes com até 150 metros de profundidade.

“Nosso apoio se baseia na crença de que a ciência, quando aplicada, gera benefícios concretos para a sociedade. As expedições que apoiamos nas ilhas brasileiras nos últimos anos já atualizaram listas de espécies e revelaram novos registros para a ciência”, conclui Marion Silva.

Publicidade