Você já mordeu uma maçã e encontrou uma espécie de “mancha” translúcida, quase transparente, perto do miolo? Longe de ser um defeito, esse detalhe é um verdadeiro prêmio para o paladar.
Trata-se do “pingo de mel”, um fenômeno natural que está roubando a cena na safra brasileira 2025/2026 de maçãs Fuji.
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Foto: ABPM/Divulgação
O nome aguça a curiosidade, mas a explicação é pura ciência da natureza. Não há mel de fato ali, e sim uma concentração de açúcares naturais da própria fruta que se acumulam na polpa. O resultado prático são maçãs muito mais suculentas, crocantes e com um sabor intenso.
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O segredo por trás do pingo de mel
Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), o fenômeno não acontece todo ano, pois exige uma combinação climática muito específica. Moisés Lopes de Albuquerque, diretor executivo da ABPM, explica que as condições na fase final de maturação foram o grande gatilho para o sucesso desta temporada.
De acordo com o diretor, o país teve um ciclo mais alongado, com a colheita ocorrendo de forma mais tardia e sob temperaturas mais baixas. Esse frio no momento certo favoreceu o acúmulo natural de açúcares na polpa, o que contribuiu para uma presença mais expressiva do pingo de mel nesta safra. “O resultado são maçãs com sabor mais intenso, maior doçura bem equilibrada pela acidez natural da fruta e excelente qualidade sensorial”, afirma.
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Sucesso na Ásia
Enquanto para alguns brasileiros a característica ainda é uma novidade curiosa, do outro lado do mundo ela é sinônimo de luxo. No Japão, que é o berço da variedade Fuji, e em diversos outros mercados asiáticos, as maçãs que apresentam o pingo de mel são classificadas como frutas premium.
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Além do sabor, a virada na produtividade
O clima favorável não transformou apenas o sabor da maçã brasileira, mas também garantiu uma forte recuperação no volume colhido nos pomares de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, estados que continuam concentrando a maior parte da produção nacional.
Conforme as estimativas oficiais da ABPM, a safra brasileira deve ficar entre 1,1 milhão e 1,2 milhão de toneladas neste ciclo. Esse número representa um salto significativo e uma excelente recuperação para o setor, já que o ciclo anterior havia registrado aproximadamente 850 mil toneladas.
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Para o consumidor final, o cenário atual não poderia ser melhor, pois une fartura nas gôndolas com uma qualidade alta. O diretor da ABPM conclui reforçando que o setor está diante de uma safra muito positiva, onde o clima colaborou tanto para a produtividade quanto para a qualidade das frutas, permitindo ao consumidor acessar uma maçã com características sensoriais diferenciadas nesta temporada.