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MEGAOPERAÇÃO NO RIO

ONU pede investigação independente sobre operação no Rio de Janeiro

Órgão lembra que episódios de violência policial no Brasil já haviam sido motivo de alerta por parte de organismos internacionais de direitos humanos

Publicado em: 31/10/2025 às 18h:21 Última atualização: 31/10/2025 às 18h:21
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O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), com sede em Genebra, divulgou nesta sexta-feira (31) uma nota oficial expressando profunda preocupação com a operação policial mais letal já registrada no Brasil, que deixou ao menos 120 mortos, entre eles quatro policiais, nas comunidades do Complexo do Alemão e do Complexo da Penha, ambos na zona norte do Rio de Janeiro.

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Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Megaoperação contra Comando VermelhoFoto: Tomaz Silva /Agência Brasil | abc+



Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 – Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Megaoperação contra Comando VermelhoFoto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Na manifestação, os especialistas da ONU pedem que as autoridades brasileiras realizem uma investigação independente e rápida, com o objetivo de: garantir responsabilização pelos fatos, interromper violações de direitos humanos e assegurar proteção a testemunhas, familiares das vítimas e defensores de direitos humanos

“Estamos particularmente preocupados com as represálias contra as famílias e testemunhas. As autoridades devem garantir sua vida, segurança e integridade pessoal, e impedir qualquer forma de intimidação, assédio ou criminalização”, afirmam os especialistas. É responsabilidade das autoridades preservar o local para posterior exame forense.

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De acordo com o comunicado, a operação, que foi denominada Operação Contenção e deflagrada no dia 28 de outubro de 2025, atingiu comunidades habitadas majoritariamente por pessoas negras e de baixa renda. Os relatores da ONU afirmam ter recebido denúncias de que corpos foram encontrados com as mãos amarradas e marcas de tiros na nuca, além de relatos de invasões domiciliares sem mandado judicial, prisões arbitrárias e uso de helicópteros e drones para efetuar disparos.

“A escala da violência, a natureza dos assassinatos relatados e as consequências para as comunidades pobres afrodescendentes que vivem em áreas periféricas urbanas expõem um padrão profundamente arraigado de policiamento racializado”, diz a nota.

No comunicado, os especialistas elencam uma série de medidas urgentes que o Brasil deve adotar. Entre elas:

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  •     Suspender operações com uso desproporcional da força, evitando novas mortes de civis;
  •     Garantir proteção a testemunhas, familiares e defensores de direitos humanos contra retaliações e processos arbitrários;
  •     Preservar provas e a cadeia de custódia em casos de homicídio;
  •     Realizar investigações periciais independentes, conforme padrões internacionais;
  •     Cumprir normas globais sobre o uso da força e punir adequadamente casos de abuso policial.

A ONU lembra que episódios de violência policial no Brasil já haviam sido motivo de alerta por parte de organismos internacionais de direitos humanos.

“Este trágico acontecimento ressalta a necessidade urgente de o Brasil rever suas políticas de segurança, que continuam a perpetuar um modelo de violência policial brutal e racializada. As autoridades brasileiras devem romper com o legado de impunidade que caracterizou eventos semelhantes no passado”, alertam.

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Em relatório divulgado em 2024, o mesmo grupo de especialistas destacou que a política de segurança pública brasileira se baseia em repressão, violência e hipermasculinidade, apontando que mais de seis mil pessoas morrem por ano em ações policiais, a maioria negra e moradora de periferias.

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Essas mortes, muitas vezes em operações que visam criminosos, são generalizadas e sistemáticas, funcionando como uma forma de limpeza social contra grupos marginalizados, afirmam os relatores.

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As preocupações dos especialistas foram formalmente encaminhadas ao governo brasileiro por meio de uma carta. O documento que tem caráter público, solicita ao Brasil, informações sobre as medidas adotadas para garantir responsabilização, reparação e justiça às vítimas e seus familiares.

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