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INDÚSTRIA BÉLICA

Produção de mísseis pode voltar no Brasil com financiamento milionário de Joesley Batista na Avibras

Saiba quando fábrica volta a produzir mísseis após financiamento de investidores privados

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Publicado em: 10/04/2026 às 15h:09 Última atualização: 10/04/2026 às 15h:09
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O empresário Joesley Batista, controlador da J&F, assinou contrato para participar do financiamento da Avibras, que retomará a produção de mísseis para o Exército Brasileiro.

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Produção de mísseis pode voltar no Brasil com financiamento milionário de Joesley Batista na Avibras | abc+



Produção de mísseis pode voltar no Brasil com financiamento milionário de Joesley Batista na Avibras

Foto: Avibrás/Divulgação

A operação foi coordenada pelo Fundo Brasil Crédito e captou R$ 300 milhões com investidores privados. A maior indústria bélica do País está em recuperação judicial desde março de 2022.

O investimento viabiliza a continuidade da parceria da empresa com o Escritório de Projetos do Exército (EPEx) para concluir o desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300). O projeto está 90% concluído, faltando apenas a campanha de tiro, conforme informações do Estadão Conteúdo. A retomada das atividades produtivas da fábrica está prevista para maio de 2026.

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Reestruturação financeira e nova estrutura societária

O Fundo Brasil Crédito tornou-se o principal credor da Avibras após adquirir um crédito de R$ 93 milhões de uma empresa da Indonésia em agosto de 2024. O fundo elaborou o plano alternativo de reestruturação da companhia, aprovado pela Justiça e pelos credores.

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Os cotistas do fundo são os investidores Raul Ortuzar e Thiago Osório, especialistas em reestruturação empresarial. Eles detêm ações da Avibras passíveis de negociação ao término do processo.

Joesley Batista participou de duas reuniões com a direção do Fundo antes de assinar o contrato. O empresário demonstrou interesse no financiamento mediante o cumprimento de condições específicas, incluindo a negociação das dívidas trabalhistas. Entre os demais financiadores da operação há pelo menos uma instituição bancária.

Um novo CNPJ foi criado para a Avibras e capitalizado com R$ 2,5 bilhões da empresa em recuperação judicial, em dezembro de 2025. A dívida trabalhista de R$ 230 milhões com 1,4 mil antigos empregados será quitada em até quatro anos. João Brasil, antigo proprietário da empresa que a levou à bancarrota, ficará de fora da nova Avibras.

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Importância estratégica para a defesa nacional

O financiamento resolve um dos principais desafios enfrentados pelo Ministério da Defesa durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro José Múcio Monteiro Filho empenhou-se em encontrar uma solução que garantisse a sobrevivência da Avibras em um contexto no qual seus produtos ganharam nova relevância devido à realidade geopolítica criada pelo atual governo dos Estados Unidos.

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As Forças Armadas não desejavam que a Avibras fosse adquirida por grupos estrangeiros. Durante 2024 e 2025, a chinesa Norinco, a australiana DefendTex e a saudita Black Storm Military Industries manifestaram interesse em comprar a empresa.

Considerada uma empresa estratégica, a Avibras contava com defensores no Congresso que chegaram a pressionar o governo para que Lula assumisse a empresa em razão de sua importância estratégica para a defesa do País.

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Desenvolvimento de novos mísseis

A Força Terrestre também está desenvolvendo o Míssil Tático Balístico S+100, que deve aproveitar o conhecimento adquirido com o projeto S-80. O míssil deverá ter interoperabilidade com outros sistemas da Avibrás. O projeto é considerado de grande potencial de vendas no mercado exterior.

As negociações estão sendo conduzidas pelo Comando de Logística (Colog) e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), do Exército. Os recursos virão de investimentos na Defesa garantidos pela Lei Complementar 221, que autorizou a exclusão de até R$ 30 bilhões em despesas com projetos estratégicos de defesa nacional do arcabouço fiscal até 2031. Essas encomendas devem sustentar a empresa em sua retomada.

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A empresa deve oferecer à Força Aérea a versão do MTC-300 disparada por aviões. Há ainda a possibilidade de o míssil equipar a Marinha. Atualmente, a Força Naval usa o sistema Astros para disparar o míssil Mansup em baterias de defesa da costa brasileira. 

O Mansup, fabricado pela Siatt, tem alcance atual de 70 quilômetros e poderá chegar a 200 quilômetros na versão estendida, alcance menor que os 300 quilômetros do MTC-300.

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A Avibrás conta atualmente com 80 profissionais. A previsão é chegar a 200 funcionários em maio, quando a fábrica deve voltar a produzir. Em junho, a empresa espera ter uma equipe de 500 pessoas, podendo alcançar mais de 1 mil com novas encomendas e parcerias futuras com empresas nacionais e estrangeiras.

A empresa preservou sua linha de produção, as propriedades intelectuais e seus ativos da área de tecnologia de informação. Já reativou seus setores de compras e seu RH.

A Avibrás mantém contratos com o Exército e com a Força Aérea. A companhia é responsável pelo sistema de foguetes balísticos Astros, vendido para quase uma dezena de países, entre eles a Indonésia e a Malásia.

A Avibrás solicitou recuperação judicial em março de 2022, apresentando dívidas de R$ 394 milhões. A empresa alegou à Justiça que havia perdido competitividade no mercado em países do Oriente Médio e no Sudeste Asiático com a ascensão de empresas fortemente financiadas por governos estrangeiros.

Em um processo de recuperação judicial, a empresa solicita auxílio do Poder Judiciário para suspender e renegociar o pagamento de dívidas. O processo pode durar anos e é acompanhado por um administrador judicial indicado pelo juiz do caso, que nomeou a Deloitte para o posto.

Sob o argumento de que a indústria apresentava péssima saúde financeira, o fundo propôs um plano de recuperação judicial alternativo e reestruturação da empresa.

O plano de reestruturação financeira da empresa estabelecia que, além dos R$ 300 milhões privados, outros R$ 300 milhões fossem obtidos com o setor público por meio de financiamento. O dinheiro viria da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

A direção do Fundo Brasil Crédito decidiu avançar e retomar a produção já em maio, mesmo sem ter ainda os recursos públicos. Está para ser concluído o acerto com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A empresa deve fazer o anúncio final de sua reestruturação nas próximas semanas.

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Nos últimos anos, a empresa recebeu R$ 394 milhões em recursos do governo federal, segundo dados do Portal da Transparência. Foram R$ 229 milhões em renúncias fiscais.

A negociação da Avibrás se dá em meio a uma disputa judicial travada pela J&F, dos irmãos Batista, para reduzir a multa de R$ 10,3 bilhões de seu acordo de leniência com o Ministério Público Federal. No fim de 2025, a Justiça Federal em Brasília determinou que o valor seja recalculado a pedido do grupo.

O acordo foi feito à época em que Joesley, Wesley e executivos da J&F também fizeram acordos de delação premiada para confessar crimes contra fundos de pensão e a Caixa Econômica Federal. Foram citados mais de 1,8 mil políticos de 28 partidos nos esquemas.

Joesley Batista, o Fundo Brasil Crédito e a Avibrás optaram por não se manifestar sobre a operação.

*Com informações do Estadão

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