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ENTENDA

Tsunami meteorológico que deixou 1 morto e 35 feridos na Argentina pode chegar ao Brasil?

Onda gigante surpreendeu banhistas no começo desta semana

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Publicado em: 14/01/2026 às 08h:45 Última atualização: 14/01/2026 às 08h:46
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Uma onda enorme associada a um tsunami meteorológico deixou um morto e 35 feridos na região de Mar del Plata, na Argentina, na tarde de segunda-feira (12). 

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Tsunami meteorológico atinge praia de Buenos Aires, na Argentina | abc+



Tsunami meteorológico atinge praia de Buenos Aires, na Argentina

Foto: Redes Sociais/Reprodução

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O fenômeno surpreendeu banhistas por volta das 16h15 (veja vídeo abaixo). O homem que faleceu foi identificado como Yair Emir Manno Núñez, de 29 anos. Ele teria se afogado após ser arrastado pela água e bater contra rochas, conforme a Defesa Civil de Buenos Aires.

Uma outra pessoa sofreu um infarto durante o fenômeno e permanece internada. Outras 35 sofreram ferimentos leves, como contusões e escoriações, causadas pela força do mar.

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Tsunami meteorológico causa morte de uma pessoa e deixa 35 feridos em Buenos Aires

O que é um tsunami meteorológico?

Segundo a MetSul, o fenômeno ocorrido na Argentina foi classificado como um meteotsunami, causado por rápidas mudanças associadas à passagem de uma frente fria após um dia de calor intenso, quando as temperaturas bateram os 39°C. 

Tsunami meteorológico que atingiu a Argentina pode alcançar o litoral do Brasil?

A reposta é não. O fenômeno registrado no começo desta semana foi de curta duração e localizado. Para se ter uma ideia, a passagem do tsunami meteorológico na Argentina foi tão rápido que afetou apenas algumas praias da costa atlântica da província de Buenos Aires, na região do Mar del Plata.

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Mas sim, tsunamis meteorológicos podem ser registrados no Brasil

O meteorologista Luiz F. Nachtigall explica que meteotsunamis são quase imprevisíveis porque dependem de uma combinação muito específica e de curta duração que envolvem fatores atmosféricos e oceanográficos.

“O principal gatilho é uma variação rápida da pressão atmosférica, geralmente associada a frentes frias, linhas de instabilidade, tempestades intensas ou rajadas muito fortes de vento sobre o mar. Essas perturbações se deslocam rapidamente e, muitas vezes, têm escala espacial pequena, ocorrendo em minutos ou poucas dezenas de minutos”, esclarece.

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Para que o fenômeno se forme, a velocidade do distúrbio atmosférico precisa coincidir com a velocidade natural de propagação das ondas no mar, um processo conhecido como ressonância. Essa “sincronia” é difícil de antecipar, pois pequenas mudanças na intensidade do vento, na pressão ou na trajetória do sistema já impedem o tsunami meteorológico de se desenvolver.

Registros no Brasil

No País, esses fenômenos foram pouco compreendidos ou atribuídos a ressacas ou variações anômalas da maré. Os primeiros relatos compatíveis aparecem em registros históricos e jornais do século XX, especialmente no Sul e no Sudeste.

Pelo menos sete eventos ocorreram nos litorais sul e médio do RS, bem como no litoral catarinense, entre 2009 e 2021, de acordo com um levantamento da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Em praticamente todos, houve estragos em veículos que estavam sobre a areia e em habitações vizinhas à praia.

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  • Pântano do Sul (SC), em 2009;
  • Cassino (RS), em 2014;
  • trecho Araranguá – Rincão (SC), em 2016;
  • Tavares e Mostardas (RS), em 2018;
  • trecho Rincão – Camboriú (SC); em 2019;
  • e, novamente, no Cassino (RS), em 2020 e 2021.

Entre 2022 e 2025, novos episódios de tsunami meteorológico ocorreram na costa do Sul do Brasil, especialmente em Santa Catarina. De acordo com o meteorologista, a praia do Cardoso, em Laguna, praia catarinense, foi atingida por quatro ondas de longa duração em 11 de novembro de 2023. 

Já em 2 de dezembro de 2024, Jaguaruna, também no litoral de Santa Catarina, foi atingida por um tsunami meteorológico, com avanço súbito do mar e elevação de cerca de um metro no nível do mar em poucos minutos.

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Tsunami meteorológico x tsunami gerado por terremoto

O episódio ocorrido nas praias argentinas é diferente de um tsunami gerado por movimento sísmico. Isso porque ondas geradas pelo abalo no leito do oceano podem viajar por longas distâncias e, em casos extremos, de terremotos violentos, o nível do mar pode subir em quase todo o mundo, inclusive na costa brasileira. Isso ocorreu nos terremotos de Sumatra, na Indonésia, em 2004, e no Japão, sete anos depois. 

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