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Cuidado com Efeito Bambi

Cervo exótico na RS-240: Como essa espécie asiática veio parar no Rio Grande do Sul?

Animal foi avistado agonizando no trecho entre Portão e São Leopoldo e não resistiu

Publicado em: 23/06/2026 às 13h:55
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“Ouvimos ele gritar”, relatou Carolina Bittencourt, que encontrou uma cena inusitada na RS-240: Um cervo exótico deitado no trecho entre Portão e São Leopoldo no sábado (20), por volta das 20h . Ela e o marido estavam indo a um aniversário quando viram o animal e pararam o carro para socorrê-lo. [Veja o vídeo ao final desta reportagem]

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“Demoramos em média 5,10 minutos para chegar nele novamente, achamos que poderíamos ter feito algo, mas depois que chegamos percebemos que ela estava muito machucada, agonizando, tentava gritar mas já não saia voz dela”, relatou.

O casal percebeu que o Cervo era fêmea, mas, minutos após o encontro, parou de respirar. “Meu filho de 8 anos, queria tentar ainda fazer massagem cardíaca, mas ela não resistiu acredito que a pancada foi muito forte.” Carolina também destacou que haviam pedaços de carro na rodovia, indicando uma batida severa que fraturou o animal.

Conforme a identificação do animal realizada pela bióloga Sarah Peixe à reportagem do ABCmais, a espécie se trata de um Cervo-áxis (Axis axis), ela é considerada exótica e nativa do sul da Ásia. Segundo a especialista, trata-se de uma “invasora” em terras latino-americanas. 

A espécie se trata de um Cervo-áxis (Axis axis) | abc+



A espécie se trata de um Cervo-áxis (Axis axis)

Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

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Como o cervo veio parar no Brasil?

Sua introdução na América do Sul, segundo Sarah, remota do inicio do século XX, quando alguns exemplares foram levados para fazendas de caça no Uruguai e, entre 1928 e 1930, na Argentina. “Ela tem sido avistada no Sul do Brasil vinda do Uruguai, se ele está por aqui pela região, infelizmente indica que a invasão está ficando mais intensa.”

Por conta de sua facilidade de adaptação ao clima da região, além da fuga e soltura de animais das fazendas, populações selvagens robustas se estabeleceram. Sarah destaca que para a fauna nativa do Rio Grande do Sul, ele é extremamente prejudicial “O problema desse cervo é que, além de competir com animais locais, na época reprodutiva ele se torna extremamente agressivo, podendo matar outros animais inclusive vacas”.

Sarah destaca que pela região não possuir felinos e canídeos silvestres pequenos, é difícil caçá-los, o que vem resultado em uma população massiva sem predadores naturais. “Ele é classificado cientificamente como uma das espécies exóticas invasoras mais bem-sucedidas e prejudiciais do mundo”, completou. 

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Ameaça a fauna nativa

Para a bióloga, um dos pontos mais prejudiciais da presença do Cervo-áxis é a competição com espécies nativas por território. “Eles competem com os cervídeos nativos como o Veado-campeiro e o Veado-catingueiro, podendo inclusive reduzir a população dos nativos em função de territorialismo”.

Sua primeira aparição documentada ocorreu em 2009, no Parque do Espinilho, unidade de conservação localizada no extremo oeste do estado, além de já te sido avistado em Ivoti.  

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Os registros atuais apontam que a espécie avança em território brasileiro a uma velocidade alarmante de 100 a 150 quilômetros por ano. E assim, expandiu para Santa Catarina, Paraná, São Paulo e, mais recentemente, invadiu o Mato Grosso do Sul.

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“Efeito Bambi”

O Cervo Exótico é um animal agressivo e sem controle populacional, Sarah frisa a preocupação com o desequilíbrio que ele causa no ambiente. “Por ser considerado um animal “carismático”, “bonitinho” e “ornamental”, o controle por abate acaba encontrando resistência da população, dificultando ações governamentais rápidas de contenção da espécie”. 

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“Mas o que as pessoas não entendem é que por ser maior, mais agressivo (na fase reprodutiva) e andar em bandos, ele desloca a fauna nativa de seus nichos ecológicos. O pisoteio contínuo causado pelos bandos compacta o solo, destrói margens de rios (zonas ripárias) e causa erosão severa e assoreamento de cursos d’água”, completa a bióloga. 

Para haver controle populacional da espécie, as pesquisas indicam que a contenção da curva de crescimento do cervo exótico exige a retirada anual de 20% a 30% da população.

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Conforme a especialista, deveriam focar prioritariamente na remoção de fêmeas para colapsar a taxa reprodutiva da invasão. Porém, no Brasil, a caça esportiva é proibida, com isso, é preciso de planos técnicos feitos por órgãos ambientais, como Secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).

O que fazer quando encontrar um Cervo Exótico na estrada? 

  • Preservar sua segurança, não se aproxime do animal e se mantenha no veículo;
  • Não buzinar nem usar luz alta. Os cervos têm reações imprevisíveis quando assustados, e isso pode fazer o animal “congelar” no meio da pista ou saltar diretamente contra o para-brisa do carro;
  • Manter os vidros fechados por segurança e passar em velocidade baixa
  • Se a distância for muito curta e não houver tempo para parar, não desviar bruscamente, tente passar em baixa velocidade e mantendo o veículo em rota linear
  • Não manusear o animal, pois o Cervo Exótico é vetor de patógenos perigosos, podendo transmitir e dispersar zoonoses e infecções
  • Não tentar socorrer o animal sozinho, machos com galhadas calcificadas ou mesmo fêmeas assustadas podem desferir coices e chifradas violentas ao se sentirem acuados
  • Não encurralar o bicho, deixar uma rota de fuga aberta para ele sair se precisar
  • No caso de acidente (choque com o animal), parar adiante em uma distância segura e avisar os números de emergência da rodovia (Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual e Brigada Militar).

Veja o vídeo

Cervo exótico é encontrado na RS-240
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