Caminhões entrando e saindo; cargas subindo e descendo das rampas; motoristas batendo o ponto e manobrando. Uma pequena transportadora de Canoas se tornou alvo, nesta quinta-feira (27), de uma das maiores operações do ano.
A Polícia Civil lançou a Operação Spotlight para desarticular um esquema que resultava em carregamentos de drogas e entorpecentes vindos de sete estados brasileiros. Ao todo, foram 45 presos.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
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Diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), o delegado Alencar Carraro explica que uma operação complexa começou após os primeiros caminhões serem apreendidos.
“Encontramos um primeiro caminhão da empresa carregando drogas no ano passado”, aponta. “Depois mais um e novamente outro, meses depois, o que levou à vigilância da empresa.”
Conforme o delegado, o movimento na área era de uma empresa de logística aparentemente acima de qualquer suspeita. Isso até a investigação ser aprofundada e a Polícia garantir as provas necessárias.
“Era uma transportadora pequena e acima de qualquer suspeita”, afirma. “Porém, era tudo fachada para um esquema enorme que garantia o transporte do material vindo de sete estados brasileiros.”
Carraro aponta que grande parte dos presos envolvidos no esquema eram motoristas, responsáveis pelas cargas. Eles sabiam carregar ilícitos e eram bem pagos para correr os riscos.
“Eles cooptavam os motoristas e pagavam a mais pelo transporte”, esclarece. “Então, o motorista não recebia pela carga o que receberia por um transporte comum, porque o risco envolvido era bem maior.”
Operação Spotlight
Ao todo, a Justiça autorizou 153 medidas cautelares pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro, sendo: 53 prisões preventivas, 54 bloqueios de contas bancárias, 2 sequestros de imóveis, 8 veículos com ordem de busca.
A indisponibilidade de ativos pode chegar a R$ 1,5 milhão. Entre os carros, LR Evoque, Porsche Macan, Toyota Hilux, Ford Ranger, Tucson, Amarok.
Além disso, houve o bloqueio de R$ 39,3 milhões dos investigados.
Lavagem de dinheiro
A organização criminosa agia lavando dinheiro por meio do sistema financeiro e através da compra de veículos de luxo, imóveis e integração em empresas e uso de transportadoras para o transporte de entorpecentes.
“As movimentações no sistema bancário eram mediante dissimulações estruturadas, pulverizações, smurfings, fracionamentos, triangulações, uso de contas de terceiros, contas de passagem (depósitos e saques rápidos), remessa de valores a outros estados”, descreve a investigação.
Conforme a Polícia Civil, os valores circulavam entre os líderes, gerentes, operadores de outras cidades e estados do Brasil, ligados ao tráfico, e demais laranjas.
O que chamou a atenção dos investigadores foi “o recrutamento de vários indivíduos com antecedentes graves como tráfico, homicídios e roubos para a pulverização em diversas contas mediante valores baixos, estes conectados a gerentes e líderes, em sucessivas transações, mas que no montante eram valores milionários, demonstrando a expertise para evitar detecções dos órgãos fiscalizadores”.
Durante a investigação ainda foi constatada a venda de laudos toxicológicos falsos para caminhoneiros por parte da quadrilha.