Um dos chefes da facção Os Manos, do Vale do Sinos, Marizan de Freitas, está entre os presos na Operação Spotlight nesta quinta-feira (27). Até as 11 horas, 45 pessoas foram presas preventivamente em cidades gaúchas e em outros estados. Ao menos oito delas já estavam dentro do sistema prisional, mas seguiam liderando o tráfico de drogas.
Ele foi capturado em julho de 2023 em São Paulo após fugir da prisão domiciliar humanitária. Na época, ele recebeu o benefício da Justiça para realizar uma cirurgia e estava em Capão da Canoa, no litoral norte, de onde fugiu com o objetivo de ir para fora do Brasil. Porém, seu plano foi interceptado.
Assista ao vídeo da prisão, em 2023
Outras lideranças do tráfico detidas nesta quinta são pai e filho, apontados como responsáveis pela logística de distribuição das drogas. Conforme o delegado Alencar Carraro, diretor de Investigações do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), o pai foi preso de novo hoje em Canoas. Ele havia sido solto há dois meses. Na cela do filho, a Polícia cumpriu mandado de busca e encontrou quatro celulares.
Parte dos investigados detidos na operação foram transferidos para o módulo de segurança da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) e cumprirão regime disciplinar diferenciado.
Foram apreendidos 11 carros, incluindo veículos de luxo, como uma Porsche Macan em Tramandaí, no litoral norte.
Também foram apreendidas várias toneladas de drogas na operação, um fuzil calibre .556, pistolas, munições de calibres distintos e mais de 100 mil reais.
Vídeo mostra veículos apreendidos nesta quinta
O esquema
Conforme a Polícia Civil, a ação busca desmontar um esquema de transporte e distribuição de drogas em larga escala, envolvendo as duas maiores facções gaúchas.
A ação teve como principal alvo o líder do negócio criminoso, que pessoalmente coordenava as operações logísticas e financeiras do esquema.
CLIQUE PARA LER: Deepfake do Geromel e site falso da GrêmioMania: Como agia grupo criminoso que causou prejuízo de R$ 250 mil
Também foram alvos integrantes do alto escalão da facção do Vale do Sinos e da organização do bairro Bom Jesus, em Porto Alegre. Segundo o Denarc, as duas facções se uniram para formar um consórcio para a distribuição das drogas e para lavagem de dinheiro.
VÍDEO: Policial militar quase é prensado por caminhonete enquanto caminhava em calçada
No Rio Grande do Sul, os mandados foram cumpridos em nove cidades:
- Porto Alegre
- Canoas
- Caxias
- Santo Antônio da Patrulha
- Taquara
- Cachoeirinha
- Charqueadas
- Alvorada
- Arroio do Meio
As buscas também são realizadas em Santa Catarina (Jaraguá do Sul, Camboriú e São José), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Minas Gerais (Salinas) e Rondônia (Porto Velho), com diligências ainda em São Paulo e na Bahia.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
Operação Spotlight
Ao todo, a Justiça autorizou 153 medidas cautelares pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro, sendo: 53 prisões preventivas, 54 bloqueios de contas bancárias, 2 sequestros de imóveis, 8 veículos com ordem de busca.
A indisponibilidade de ativos pode chegar a R$ 1,5 milhão. Além disso, houve o bloqueio de R$ 39,3 milhões dos investigados.
Lavagem de dinheiro
A organização criminosa agia lavando dinheiro por meio do sistema financeiro e através da compra de veículos de luxo, imóveis e integração em empresas e uso de transportadoras para o transporte de entorpecentes.
“As movimentações no sistema bancário eram mediante dissimulações estruturadas, pulverizações, smurfings, fracionamentos, triangulações, uso de contas de terceiros, contas de passagem (depósitos e saques rápidos), remessa de valores a outros estados”, descreve a investigação.
Conforme a Polícia Civil, os valores circulavam entre os líderes, gerentes, operadores de outras cidades e estados do Brasil, ligados ao tráfico, e demais laranjas.
O que chamou a atenção dos investigadores foi “o recrutamento de vários indivíduos com antecedentes graves como tráfico, homicídios e roubos para a pulverização em diversas contas mediante valores baixos, estes conectados a gerentes e líderes, em sucessivas transações, mas que no montante eram valores milionários, demonstrando a expertise para evitar detecções dos órgãos fiscalizadores”.
Durante a investigação ainda foi constatada a venda de laudos toxicológicos falsos para caminhoneiros por parte da quadrilha.
Veja o vídeo
LEIA TAMBÉM