abc+

PROVA DESTRUÍDA

"Apagar tudo o que tem lá dentro": Polícia divulga áudio em que moradora de comunidade diz que guru foi em motel com crianças

Adir Aliatti, que usava o nome Prem Milan, e os filhos foram indiciados por tortura, violência sexual e outros 10 crimes na semana passada

Publicado em: 15/10/2025 às 11h:56 Última atualização: 15/10/2025 às 11h:57
Publicidade

A Polícia Civil teve acesso a um áudio, encontrado no celular de uma moradora da comunidade Osho Rachana, no bairro Cantagalo, no limite entre Viamão e Porto Alegre. A mulher cita um suposto vídeo em que o guru espiritual Adir Aliatti, de 70 anos, estaria com crianças em um motel. (Ouça o áudio abaixo).

Publicidade

Guru espiritual Adir Aliatti | abc+



Guru espiritual Adir Aliatti

Foto: Imagem cedida/Polícia Civil

CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP 

No áudio, ela afirma que um outro seguidor da comunidade teria sugerido formatar o celular do líder para apagar as provas.

“Era bom a gente dar um jeito de descobrir onde está esse vídeo, que este vídeo é ruim, e ver exatamente o que é, mas realmente não é uma coisa legal de o Milan estar no motel com crianças, né, em vista desse conteúdo do inquérito. Ele sugeriu até a gente formatar o celular do Milan para apgar tudo o que tem lá dentro.”

Apesar de ter sido citado, o vídeo não foi localizado e a Polícia ainda não se sabe se ele levou crianças a um motel.

Publicidade

LEIA TAMBÉM: “Eu não vou ter minhas meninas de volta”: Relembre caso das gêmeas de Igrejinha assassinadas pela mãe 

12 crimes

O guru, conhecido como Prem Milan e os dois filhos foram indiciados por 12 crimes, que são: associação criminosa, tortura psicológica, estelionato, redução à condição análoga à de escravo, curandeirismo, charlatanismo, crime contra a economia popular, violência sexual mediante fraude, exposição de crianças a constrangimento, falsificação de produto terapêutico, injúria racial e discriminação por orientação sexual.

Veja o vídeo

Polícia divulga áudio em que moradora de comunidade diz que guru foi em motel com crianças
Publicidade

Ele foi alvo da Operação Namastê no fim do ano passado, quando os crimes começaram a ser investigados. 

Seita de guru espiritual é alvo de operação da Polícia Civil no RS | abc+



Seita de guru espiritual é alvo de operação da Polícia Civil no RS

Foto: Polícia Civil

Publicidade

O que já foi descoberto

Conforme a delegada Jeiselaure de Souza, que conduziu a investigação, são diversos os indícios da autoria dos crimes. Além de ações criminosas que envolviam a captação de recursos financeiros de fiéis e simpatizantes, sob falsas promessas de cura espiritual e prosperidade, havia a prática de métodos terapêuticos não reconhecidos que poderiam afetar a saúde física e mental dos envolvidos.

A Polícia ainda identificou práticas de isolamento social forçado, inclusive de menores, e atos que configuram tortura física e psicológica.

No decorrer dos meses de investigação, ficou comprovado o uso de pseudoterapias ilegais, como ozonioterapia retal, e a realização de rituais de “cura gay”, considerados formas de tortura e discriminação

Publicidade

Usava autoridade para explorar moradores da comunidade

As provas reunidas contra Aliatti e os dois filhos demonstram, para a delegada, a atuação sistemática de um grupo organizado que se valia de autoridade exercida na comunidade para dominar, coagir e explorar emocional e financeiramente dezenas de pessoas vulneráveis. Acredita-se que a família tenha desviado recursos estimados em milhões de reais, obtidos por meio de cursos, imersões e “doações forçadas”, com utilização dos valores em bens pessoais, viagens e imóveis.

A investigação iniciou a partir de denúncias de ex-integrantes da comunidade, que revelaram práticas sistemáticas de tortura psicológica, exploração econômica, manipulação emocional e violência simbólica, realizadas sob o disfarce de rituais espirituais e terapêuticos. Segundo o inquérito, os adeptos eram submetidos a rituais coercitivos, isolamento social, humilhações públicas e trabalhos forçados, além de terem sido vítimas de violência sexual mediante fraude e golpes financeiros.

Publicidade

A reportagem não localizou a defesa de Adir Aliatti. O espaço segue aberto para manifestação.

(*) Colaborou: Nadine Funck 

Publicidade
Publicidade