A Polícia Civil teve acesso a um áudio, encontrado no celular de uma moradora da comunidade Osho Rachana, no bairro Cantagalo, no limite entre Viamão e Porto Alegre. A mulher cita um suposto vídeo em que o guru espiritual Adir Aliatti, de 70 anos, estaria com crianças em um motel. (Ouça o áudio abaixo).

Foto: Imagem cedida/Polícia Civil
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
No áudio, ela afirma que um outro seguidor da comunidade teria sugerido formatar o celular do líder para apagar as provas.
“Era bom a gente dar um jeito de descobrir onde está esse vídeo, que este vídeo é ruim, e ver exatamente o que é, mas realmente não é uma coisa legal de o Milan estar no motel com crianças, né, em vista desse conteúdo do inquérito. Ele sugeriu até a gente formatar o celular do Milan para apgar tudo o que tem lá dentro.”
Apesar de ter sido citado, o vídeo não foi localizado e a Polícia ainda não se sabe se ele levou crianças a um motel.
LEIA TAMBÉM: “Eu não vou ter minhas meninas de volta”: Relembre caso das gêmeas de Igrejinha assassinadas pela mãe
12 crimes
O guru, conhecido como Prem Milan e os dois filhos foram indiciados por 12 crimes, que são: associação criminosa, tortura psicológica, estelionato, redução à condição análoga à de escravo, curandeirismo, charlatanismo, crime contra a economia popular, violência sexual mediante fraude, exposição de crianças a constrangimento, falsificação de produto terapêutico, injúria racial e discriminação por orientação sexual.
Veja o vídeo
Ele foi alvo da Operação Namastê no fim do ano passado, quando os crimes começaram a ser investigados.

Foto: Polícia Civil
O que já foi descoberto
Conforme a delegada Jeiselaure de Souza, que conduziu a investigação, são diversos os indícios da autoria dos crimes. Além de ações criminosas que envolviam a captação de recursos financeiros de fiéis e simpatizantes, sob falsas promessas de cura espiritual e prosperidade, havia a prática de métodos terapêuticos não reconhecidos que poderiam afetar a saúde física e mental dos envolvidos.
A Polícia ainda identificou práticas de isolamento social forçado, inclusive de menores, e atos que configuram tortura física e psicológica.
No decorrer dos meses de investigação, ficou comprovado o uso de pseudoterapias ilegais, como ozonioterapia retal, e a realização de rituais de “cura gay”, considerados formas de tortura e discriminação.
Usava autoridade para explorar moradores da comunidade
As provas reunidas contra Aliatti e os dois filhos demonstram, para a delegada, a atuação sistemática de um grupo organizado que se valia de autoridade exercida na comunidade para dominar, coagir e explorar emocional e financeiramente dezenas de pessoas vulneráveis. Acredita-se que a família tenha desviado recursos estimados em milhões de reais, obtidos por meio de cursos, imersões e “doações forçadas”, com utilização dos valores em bens pessoais, viagens e imóveis.
A investigação iniciou a partir de denúncias de ex-integrantes da comunidade, que revelaram práticas sistemáticas de tortura psicológica, exploração econômica, manipulação emocional e violência simbólica, realizadas sob o disfarce de rituais espirituais e terapêuticos. Segundo o inquérito, os adeptos eram submetidos a rituais coercitivos, isolamento social, humilhações públicas e trabalhos forçados, além de terem sido vítimas de violência sexual mediante fraude e golpes financeiros.
A reportagem não localizou a defesa de Adir Aliatti. O espaço segue aberto para manifestação.
(*) Colaborou: Nadine Funck