Uma nova operação desencadeada pela Polícia Civil recolhe os mais de 200 animais entre cães e gatos mantidos em um canil no bairro Travessão, em Dois Irmãos, em situação de maus-tratos. Agentes encontraram, na manhã desta sexta-feira (24), gatos mortos e congelados dentro de um freezer do estabelecimento.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
A localização dos animais (dois filhotes e um feto) chocou os integrantes da ONG que acompanha a ação e foi classificada como mais um indício de crime cometido pelos responsáveis pelo local, que haviam sido presos na última quarta-feira. [Veja vídeo ao final desta reportagem.]
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A legislação diz que animais mortos em canis não podem ser enterrados ou congelados. Eles devem ser encaminhados para cremação ou destinados a uma clínica veterinária para o correto manejo sanitário.
No entanto, os gatos estavam dentro de uma sacola plástica no congelador de uma geladeira comum, junto a frascos de medicamentos veterinários vencidos, o que agrava ainda mais o cenário já considerado crítico pela Polícia.
A operação desta sexta-feira ocorre após a repercussão do caso e tem como objetivo retirar definitivamente os animais do local.
Eles estavam, desde a primeira ação policial, sob responsabilidade de uma fiel depositária, uma funcionária do canil. Agora, a guarda foi transferida para uma ONG com experiência em resgates de grande porte e casos de maus-tratos.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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O delegado Felipe Borba, responsável pela investigação, explicou que a dimensão do caso surpreendeu a equipe.
“Como na quarta-feira nós viemos até aqui cumprir o mandado de busca e apreensão, efetuamos a prisão dos responsáveis, a gente não imaginava a quantidade de animais. Tivemos que buscar uma alternativa. Hoje estamos transferindo a responsabilidade para uma ONG que demonstrou ter experiência e qualificação para tomar essas medidas imediatas de cuidado, até que o Poder Judiciário defina o destino dos animais”, explica.
Sobre a situação dos investigados, o delegado confirmou que houve mudança após a prisão em flagrante. “Ontem, à noite, o Poder Judiciário concedeu liberdade provisória para os dois presos, mas determinou a proibição de que eles se envolvam com qualquer tipo de tratamento ou comércio de animais”, acrescenta.
Cerca de 224 animais, sendo 170 cães e 54 gatos, estão sendo recolhidos e encaminhados inicialmente para uma clínica veterinária, onde passarão por avaliação clínica detalhada.
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“É um cenário muito grave”

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
A presidente do Instituto Eu Salvo Vidas, Paola Saldivia, descreveu o cenário encontrado como um dos mais graves já enfrentados pela entidade.
“Nesse momento, estamos fazendo o recolhimento dos animais, que vão passar por uma série de exames. Muitos estão debilitados, doentes. Há casos de cruzamentos entre familiares, o que faz com que os filhotes já nasçam com problemas”, relata.
Segundo ela, as condições sanitárias eram extremamente precárias. “Os animais estavam todos juntos, o que facilita a transmissão de doenças. Encontramos fezes com sangue, o que pode indicar giárdia ou parvovirose. Há fêmeas prestes a parir no mesmo ambiente insalubre. É um cenário muito grave”, afirma.
Após a triagem e os cuidados emergenciais, os animais ficarão sob a guarda da ONG e, posteriormente, poderão ser disponibilizados para adoção responsável, conforme decisão judicial.
A presidente também fez um alerta sobre a origem de muitos animais comercializados pela internet. “As pessoas compram pelas redes sociais sem saber de onde esses animais vêm. O que vimos aqui é absurdo. Pela quantidade e pelas condições, este é um dos piores casos que já enfrentamos”, conclui.