Representantes do povo de matriz africana de Esteio emitiram uma nota de repúdio nesta quarta-feira (23) contra o pai de santo que confessou ter assassinado um bebê, a mãe dele, de 18 anos, e um amigo dela, de 16. As vítimas foram identificadas como Miguel Martins Kosmalski, Kauany Martins Kosmalski e Ariel Silva da Rosa, respectivamente.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Foto: Polícia Civil
“É importante esclarecer à sociedade que tais atos são absolutamente incompatíveis com os valores, fundamentos e princípios das religiões de matriz africana, que zelam pela vida, pelo cuidado, pelo acolhimento e pela espiritualidade responsável”, destaca trecho do texto.
LEIA MAIS: Quem é o pai de santo que confessou assassinato de bebê, mãe e adolescente no Vale do Sinos
Jocemar Antunes de Almeida, 45, agiu com a companheira, Belisia de Fátima, 41, e dois adolescentes para atrair e matar o trio. O motivo teria sido ciúmes da mulher, já que o líder religioso era pai do bebê. Segundo a investigação da Polícia, o homem teve uma relação com Kauany quando ela ainda era menor de idade.
A jovem frequentava o terreiro de Jocemar. Por isso, ele também tinha medo que o envolvimento dos dois fosse revelado para a comunidade e ele perdesse o posto de pai de santo.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
A comunidade também se solidariza com a família das vítimas e afirma que, devido à conduta, o homem não deve mais ser considerado sacerdote de matriz africana. “Por isso, declaramos que tal indivíduo, ao violar os princípios sagrados da vida e da religião, não pode mais ser reconhecido como sacerdote dentro das casas sérias de matriz africana. A Lei Divina é clara: onde há morte e injustiça, não há axé, não há título, não há fundamento.”
Abaixo, leia a nota na íntegra:
“NOTA DE REPÚDIO
O povo de terreiro da cidade de Esteio vem, publicamente, manifestar seu mais profundo repúdio diante do crime bárbaro que chocou nossa comunidade: o assassinato cruel de uma filha de santo — um bebê de apenas 2 meses — e de um adolescente de 16 anos, em um caso em que o suposto autor se identifica como sacerdote de matriz africana.
É importante esclarecer à sociedade que tais atos são absolutamente incompatíveis com os valores, fundamentos e princípios das religiões de matriz africana, que zelam pela vida, pelo cuidado, pelo acolhimento e pela espiritualidade responsável.
Todas as providências cabíveis estão sendo tomadas pelas autoridades competentes, e acompanhamos de perto os desdobramentos do caso, confiantes na Justiça dos homens e na Justiça divina.
Manifestamos nossos sentimentos sinceros às famílias e amigos das vítimas, reafirmando que a dor de vocês também é nossa. Neste momento de luto e indignação, reforçamos que a espiritualidade verdadeira não compactua com violência, abuso ou qualquer prática que fira a dignidade humana.
Por isso, declaramos que tal indivíduo, ao violar os princípios sagrados da vida e da religião, não pode mais ser reconhecido como sacerdote dentro das casas sérias de matriz africana. A Lei Divina é clara: onde há morte e injustiça, não há axé, não há título, não há fundamento.
Seguimos firmes na luta por uma fé respeitada, responsável e verdadeiramente comprometida com o bem.”
O crime
Desaparecidos desde o último domingo (20), os corpos de Kauany Martins Kosmalski, do filho dela, Miguel Martins Kosmalski, e do amigo dela, Ariel Silva da Rosa, foram encontrados no fim da tarde de terça-feira (22) em um bueiro na beira do Rio dos Sinos, em Esteio.
A Polícia Civil aponta que eles foram atraídos por uma emboscada armada por Antunes e por dois adolescentes. As vítimas foram chamadas para beber vinho em um local, onde mais tarde Belisia também apareceu. Dali, os assassinos e as vítimas rumaram para uma área próxima à Fábrica da LaSul, endereço no qual o crime teria sido cometido.
VEJA TAMBÉM: Por que adolescente foi assassinado junto com mãe e bebê de 2 meses em Esteio
Belisia teria golpeado Kauany na barriga com uma faca e, na sequência, Antunes teria esfaqueado Ariel. O amigo da jovem teria sido morto para silenciar o crime. Após a execução, a arma foi dispensada em local próximo e os corpos levados para o carro, que seguiu até o local onde foram desovados.
Durante o trajeto, o bebê seguia vivo. A Polícia ainda não sabe como ele foi morto e, como os acusados não tiveram coragem de relatar, apenas os laudos da perícia devem esclarecer.
CONFIRA: Ciúmes, emboscada e corpos escondidos em bueiro: A linha do tempo do assassinato de jovens e bebê
O desaparecimento da jovem foi registrado na segunda-feira (21). Após isso, em investigação, os policiais chegaram até os suspeitos que, em interrogatório, confessaram o crime. Foi Antunes quem levou os agentes até o local da desova dos corpos.