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POLÍCIA EM ALERTA

Aumento de homicídios não reflete em outros índices de criminalidade em Canela, aponta delegado

Três assassinatos em um mês: assim foi julho em Canela. O aumento nos casos de homicídio fez a Polícia acender o alerta e reforçar operações

Fernanda Steigleder Fauth
Publicado em: 04/08/2025 às 14h:51 Última atualização: 04/08/2025 às 14h:52
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Três assassinatos em um mês. Assim foi julho em Canela. O aumento nos casos de homicídio fez a Polícia acender o alerta e reforçar operações. As ocorrências têm relação com grupos criminosos, ligados ao tráfico de drogas, que buscam espaço e disputam por áreas.

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Delegacia da Polícia Civil de Canela



Delegacia da Polícia Civil de Canela

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

“Nós temos uma média de cinco, seis homicídios por ano na cidade. Já tivemos anos muito mais preocupantes, como 2019 com 12 homicídios, 2020 com 10, 2021 com 15”, relata o delegado de Canela, Vladimir Medeiros, a partir de dados disponíveis em portal da Secretaria da Segurança Pública do Estado.

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Fora os crimes de julho, Canela já tinha tido outras duas mortes violentas, sendo que uma não possuía relação com criminalidade. “São três fatos graves que estão no mesmo contexto, da disputa de grupos rivais pelo tráfico de drogas”, afirma o responsável pela DP.

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Medeiros aponta que não houve um acréscimo de fatos. “Tivemos um pico em julho de 2024, quando houve aquele homicídio na Catedral, o duplo homicídio. E, de novo, verificamos um pico neste mês de julho”, pontua.

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Execuções e incêndios

Além das mortes, incêndios criminosos ocorreram nas últimas semanas. Na madrugada do dia 24, dois sinistros, em uma casa e um carro, e disparos de arma de fogo ocorreram na cidade. Eles teriam relação com os últimos três assassinatos, conforme aponta investigação da Polícia Civil. Na última quarta-feira (30), um adolescente foi apreendido como suspeito de ser o autor dos crimes. 

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O Corpo de Bombeiros atendeu as ocorrências. A primeira iniciou por volta das 3 horas, próxima das ruínas do Cassino, na Rua Ignácio Saturno de Moraes. Conforme a corporação, ao chegar na residência, grandes labaredas eram avistadas. “Possivelmente alimentada por gasolina, combustível ou similares. Grande dificuldade para entrar e fazer buscas”, afirmou a guarnição.

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Durante o atendimento ao sinistro, um novo incêndio chegou ao Corpo de Bombeiros, o que fez com que a equipe precisasse se dividir. Desta vez, num automóvel, no bairro São Rafael. A corporação de Gramado auxiliou no combate.

“Relatos de vizinhos apontam que homens pararam o automóvel (com a mesma descrição) e atearam fogo no imóvel. Posteriormente, abandonaram o veículo e fizeram o mesmo”, informou na época os bombeiros.

Já na tarde do dia 27, outro incêndio, desta vez, na Rua João Simplício. No terreno, havia três imóveis e um deles, um chalé de madeira, foi completamente consumido pelas chamas. No local, um ponto de tráfico de drogas funcionava, o que pode apontar para nova ocorrência relacionada à disputa por facções criminosas.

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Para o delegado, os casos integram “uma disputa que se acirrou”. “Por vezes, um fato é suficiente para que se inicie de lado a lado ações mais contundentes. Aí vemos execuções, atos de ameaça e intimidação entre os grupos, queima de residências, queima de locais utilizados pelo grupo rival para venda de drogas”, explica Medeiros.

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Outros dados

Apesar destes casos relacionados a mortes violentas, outros índices criminais apresentam queda na cidade. No caso de roubo a pedestres, dos 66 registrados em 2015, neste ano, até o momento, foram apenas quatro. Para comparar com anos anteriores, em 2023 foram 27 ocorrências, enquanto que em 2024, outras 23.

Outro dado que demonstra queda é relacionado ao roubo de veículos. Em 2025, não houve registro de nenhum caso. A última vez que este índice havia zerado foi em 2020, ano de pandemia.

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“Trabalho não cessa na prisão”

“Canela ainda é uma ilha em termos de segurança, se compararmos com outras cidades. Canela cresceu muito e isso chama a atenção de grupos criminosos. Julho foi o mês que os fatos aconteceram, mas vai haver resposta da Polícia para todos”, diz Medeiros.

O delegado de Canela frisa que o trabalho da Polícia, em muitos casos, não termina quando há a prisão. “Se preciso, inclusive nestes casos, tomamos providências em relação a lideranças presas, que comandam os homicídios de dentro do sistema prisional, nossa ação em relação a eles também será contundente, efetiva, se precisar transferi-los, isolá-los, se precisar concluir o inquérito que vá arredondar numa prisão de mais 10 anos para cada um deles, também faremos”, conclui.

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“Dedicação máxima”

O delegado de Canela conta que, desde que atua na cidade, ano de 2014, está com 98,78% de taxa de esclarecimento dos casos. “Dos 82 homicídios desde que cheguei aqui, 81 estão 100% esclarecidos”, afirma.

“Polícia está atenta, as equipes estão todas na rua, com dedicação máxima. Da mesma maneira que os 81 homicídios estão remetidos, concluídos, esclarecidos, com prisão, operação, prisão de quem apontou a casa, de quem fez o Pix, de quem executou o gatilho, dirigiu o carro, prisão do líder, tenho certeza absoluta de que o resultado para a comunidade será 100% integral com responsabilização em todos os fatos”, finaliza.

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