Uma comerciante de 62 anos e a amiga de 53, moradoras de Estância Velha, são investigadas por integrar uma rede de contrabando de medicamentos clandestinos para emagrecer. Elas foram presas na rodoviária de Novo Hamburgo, na manhã desta quinta-feira (14), pela Polícia Civil.
SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS
As mulheres estavam com frascos da substância tirzepatida avaliados em R$ 100 mil escondidos no corpo. Recém tinham desembarcado de ônibus vindo de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, por volta das 8 horas. “Nossa equipe fez a abordagem quando iam para o estacionamento. Ficaram muito nervosas”, declara o titular da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, Tarcísio Kaltbach.
Uma policial precisou fazer revista íntima
“Primeiramente alegaram que não tinham nada e depois tentaram dispensar uma sacola com algumas ampolas embaixo de um carro estacionado. Aí disseram que seria para consumo próprio. Na revista íntima na delegacia, feita por uma policial, foi constatado que estavam com dezenas de frascos debaixo das roupas. Acabaram admitindo que seria para venda”, relata o delegado.
Ele explica que, para o transporte, o produto foi removido da embalagem original e enrolado em fitas adesivas nas duas mulheres. “Fizeram o mesmo com as embalagens de papelão, também trazidas no corpo.”
As duas foram autuadas em flagrante pelos crimes de contrabando e delitos contra a saúde pública, cujas penas somadas podem ultrapassar 15 anos em regime fechado. No depoimento formal, por orientação do advogado, ficaram em silêncio.
Elas foram conduzidas ao Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), em Porto Alegre, para audiência de custódia. Os nomes não são publicados por conta da lei de abuso de autoridade.
CLIQUE AQUI E INSCREVA-SE NA NOSSA NEWSLETTER
Indiciadas não possuem capacitação em saúde
As indiciadas não possuem qualquer capacitação na área da saúde. A comerciante é dona de loja de roupas e salão de beleza no bairro Rincão dos Ilhéus, em Estância Velha. A amiga, moradora do bairro Sol Nascente, não tem atividade profissional definida.
“Essa operação é de combate à comercialização e aplicação ilegal de medicamentos contrabandeados oriundos do Paraguai, especialmente substâncias utilizadas para emagrecimento que vêm sendo amplamente ofertadas de forma clandestina na cidade, sem qualquer observância das normas sanitárias e de procedência exigidas pelos órgãos competentes”, frisa o delegado.
Segundo ele, foi apurado que os produtos seriam fracionados, revendidos e aplicados em clientes sem qualquer controle sanitário, supervisão médica adequada ou garantia de autenticidade e armazenamento correto dos medicamentos. Tarcísio salienta que as operações serão intensificadas com o aprofundamento das investigações. “Vamos procurar identificar e responsabilizar outros envolvidos nessa cadeia de comercialização clandestina.”
“As pessoas não sabem o que estão colocando no corpo”
O delegado observa que, se produto legalizado já oferece riscos à saúde sem acompanhamento médico, o princípio ativo sem regulamentação e contrabandeado apresenta potencial de danos ainda maior, pois há considerável probabilidade de ser falsificado.
“É crescente o número de denúncias envolvendo a venda irregular desses medicamentos. Há uma inundação desse material com vários usuários tendo complicações sérias e até morte. As pessoas não sabem o que estão colocando no corpo.”
As famosas canetas
A tizerpatida é o princípio ativo que dá nome ao Monjauro, um dos medicamentos no mercado conhecido como “caneta emagrecedora”. Veio depois do Ozempic, que popularizou o tratamento contra a obesidade por meio de outra substância, a semaglutida.
ENTRE NO NOSSO CANAL NO WHATSAPP
O que foi apreendido
- 83 frascos de tizerpatida de 15 mg/ml
- 7 frascos de tizerpatida de 12,5 mg/ml
- 12 caixas de embalagens de duas marcas paraguaias
- 1 celular iPhone 15
- 1 celular iPhone 11
LEIA TAMBÉM