O depoimento do pai de Anna Pilar Cabrera, menina de 7 anos morta a facadas pela própria mãe em agosto de 2024, foi o primeiro a ser ouvido no júri popular que acontece nesta terça-feira (16), no Fórum de Novo Hamburgo. A sessão tem como ré Kauana Nascimento, mãe da criança.
Andrès Cabrera, que manteve um relacionamento de cerca de cinco anos com Kauana e estava separado da ex-companheira havia três anos, prestou depoimento na condição de informante do Poder Judiciário. A oitiva durou aproximadamente 30 minutos e ocorreu logo após a abertura oficial do julgamento.
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Foto: Reprodução/Instagram
Antes do início do depoimento, Cabrera solicitou que Kauana não permanecesse no plenário durante a sua fala, pedido que foi atendido. A ré, portanto, não acompanhou o depoimento do pai da criança, sendo mantida fora do plenário nesse momento inicial do júri.
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No início do depoimento, Cabrera relatou às juradas como ficou sabendo da morte da filha e, na sequência, respondeu a questionamentos do Ministério Público e da Defensoria Pública, que atua na defesa da acusada. O promotor de Justiça Robson Jonas Barreiro questionou o pai sobre como ele tem lidado com a ausência da filha, com quem, segundo relatou, mantinha uma relação de forte vínculo afetivo.
Em um dos momentos mais marcantes do depoimento, ao ser questionado sobre seus sentimentos, Cabrera interrompeu o promotor e perguntou se ele tinha filhos. Diante da resposta positiva, afirmou: “Então, o senhor sabe o que sinto”, evidenciando o sofrimento desde a morte da criança.
Cabrera afirmou que sempre procurou ser um pai presente, mesmo residindo no litoral norte, e que evitava ficar mais de uma semana sem ver a filha. Disse ainda que nunca recebeu qualquer relato da criança sobre atitudes de violência ou maldade por parte da mãe.
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Durante o depoimento, ele relatou que passou a perceber comportamentos que considerava preocupantes por parte de Kauana após o término do relacionamento e que chegou a oferecer ajuda psicológica e psiquiátrica à ex-companheira. Segundo o pai, a acusada não aceitou a ajuda e passou a acreditar que ele estaria tentando retirar a guarda da filha, o que ele negou.
O pai da criança também afirmou que Kauana demonstrava um zelo excessivo, que classificou como abusivo, em relação à filha. Para a Defensoria, esse comportamento estaria relacionado a situações vividas por ela na adolescência, incluindo episódios de abuso sexual, o que teria levado Kauana a tentar restringir o convívio de Anna com outras pessoas.
Cabrera afirmou ainda que, inicialmente, acreditava que o ciúme da ex fosse direcionado à própria filha, mas que, ao longo do tempo, percebeu que o sentimento era, na verdade, em relação a ele. Segundo relatou, ambos fizeram um acordo para não interferirem na vida pessoal e amorosa um do outro após o fim do relacionamento, concentrando-se exclusivamente no bem-estar de Anna Pilar. O crime, conforme disse Cabrera, ocorreu no dia seguinte ao aniversário dele.
Após o encerramento do depoimento do pai da vítima, Kauana foi trazida ao plenário, onde passou a acompanhar o restante da sessão. Na sequência, teve início o depoimento da mãe da ré, que foi ouvida até o meio-dia, respondendo a perguntas da Defensoria Pública e do Ministério Público. Kauana acompanhou o depoimento da mãe no plenário.
Cabrera optou por permanecer no julgamento, deslocando-se para a área reservada ao público, onde acompanha o restante da sessão.
O julgamento ocorre no Tribunal do Júri de Novo Hamburgo e é presidido pelo juiz Flávio Curvello Martins de Souza, titular da 1ª Vara Criminal. A acusação é conduzida pelo promotor Robson Jonas Barreiro, enquanto a defesa da ré está a cargo da defensora pública Tatiana Kosby Boeira, que sustenta a tese de que Kauana Nascimento sofreu um surto psicótico no momento do crime.
O Conselho de Sentença é composto por sete mulheres, e a expectativa é de conclusão do julgamento ainda nesta terça-feira.