Nesta terça-feira (10), a mulher acusada pela morte do fotógrafo Gustavo Bertuol Gargioni foi condenada pelo crime ocorrido em 2015. Em um novo julgamento, Paula Caroline Ferreira Rodrigues foi condenada a uma pena é de 26 anos e oito meses de reclusão em regime fechado.
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Foto: Nicole Goulart/GES-Especial
O novo julgamento ocorreu após a apresentação de recurso do Ministério Público. A ré havia sido absolvida em 2023. Agora, sem a sua presença e com um novo advogado, ela acabou condenada pelos jurados. Paula é considerada foragida da Justiça e teve a prisão preventiva mantida.
“Ela decidiu por livre arbítrio atentar com a vida da vítima”, destacou o juiz de Direito Bruno Barcellos de Almeida, titular da 1ª Vara Criminal, ao relatar o comportamento da ré antes, durante e após o crime.
Paula responderá por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A mãe de José Gustavo Bertuol Gargioni, Helena Bertuol Gargioni, acompanhou o júri na parte da tarde.
“Agora a justiça foi feita. Me sinto agradecida ao Ministério Público. Meu filho vai poder descansar e nós vamos poder sorrir como ele”, afirmou emocionada.
Como foi o julgamento
Os trâmites do júri na 1ª Vara Criminal do Foro da Comarca de Canoas começaram às 9 horas desta terça-feira. O caso foi composto pela acusação do Ministério Público e pelos advogados de defesa.
Coube aos sete jurados – quatro mulheres e três homens – decidirem o resultado, que foi divulgado no final do dia.
Na parte da manhã, a única testemunha do caso foi ouvida pelas duas partes. O delegado Marco Guns, que investigou o crime em 2015, detalhou a execução do crime e quem são os envolvidos.
Isso porque, além de Paula, Juliano Biron, que à época era namorado da acusada, segue preso também pela morte de Gustavo Gargioni.
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MP aponta autoria
Na parte da tarde, as promotoras Daniela Fistarol e Rafaela Hias Moreira demonstraram a autoria da ré no crime ocorrido há 11 anos.
“Ela é a principal mentora de todo o crime”, define a promotora Daniela. “Tirem a Paula da cena. O crime existiria?”, questiona.
Na apresentação, ela ainda destaca as mudanças de versões dadas pela ré ao longo do processo.
O motivo posto é que Paula não queria perder seu padrão de vida de luxo, mantido por Juliano. Como “prova de amor” para ele, emboscou Gustavo. O jovem foi morto com 19 disparos.
“Quem cria a armadilha tem que responder exemplarmente”, reitera a promotora Rafaela na argumentação da réplica.
“Ela era vítima”, afirma advogado
O novo advogado da ré, Mártin Gross deu uma versão de que Paula Rodrigues teria sido coagida por Juliano Biron a participar do crime.
A defesa afirma que ela era uma vítima de violência doméstica. Gross entende que ela estava na cena do crime, mas sem a intenção de estar. “Ela foi vítima também”, reforça o advogado.
Por não estar presente no novo júri, a defesa usou trechos do depoimento do julgamento de 2023. O advogado também admitiu que não teve nenhum tipo de contato com a ré.
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Relembre o caso
O fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, de 22 anos, foi encontrado morto na Prainha do Paquetá, em Canoas.
Segundo o Ministério Público, o crime teria ocorrido em 28 de julho de 2015, por volta da 0h30min, nas proximidades das ruas Itu e Guarani, na estrada de acesso à Prainha.
Conforme a denúncia, foram responsáveis pela morte Paula Caroline Freitas Rodrigues e Juliano Biron da Silva.
Juliano foi apontado como o autor dos disparos e acabou condenado pelo Tribunal do Júri em 2020. A pena é de 18 anos de reclusão, em regime fechado.