O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou, na tarde desta segunda-feira (2), que expediu um mandado de prisão preventiva contra Paula Caroline Ferreira Rodrigues.
Ré no caso da morte do fotógrafo Gustavo Gargioni, Paula tem novo julgamento marcado para a manhã desta terça-feira (3), a partir das 9 horas, na 1ª Vara Criminal do Foro de Canoas.

Foto: TJRS/REPRODUÇÃO
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Conforme apontamento do TJRS, o mandado expedido na última quinta-feira (26) visa assegurar a localização da acusada, já que Paula está em lugar incerto e não conhecido pela Justiça.
Ainda segundo o TJ, a medida foi justificada em razão das condutas da ré, que “obstaculizaram” o regular andamento do processo, especialmente à realização de julgamento no Tribunal do Júri.
Representando a defesa de Paula, o advogado Rodrigo Schimitt afirma que a cliente não tinha a obrigação de manter o endereço atualizado, já que estava livre após um julgamento absolutório.
“Paula foi absolvida e não tinha nenhuma obrigação de manter o endereço atualizado, pois não estava mais em liberdade provisória”, defende. “Não fui informado de nenhuma decisão que tenha revertido a liberdade dela.”
O advogado cita que recentemente o Ministério Público pediu o adiamento do julgamento, já que não haveria prejuízo em remarcar, tendo em vista que a ré responde em liberdade.
“Não fui intimado sobre eventual esgotamento de tentativas de localização para intimar Paula para o julgamento”, frisa. “Ela tem, inclusive, o direito de não se fazer presente no julgamento, se não quiser aparecer,” reforça.
A preocupação do advogado de defesa diz respeito à hostilidade contra a cliente. Schimitt aponta que Paula vem sendo ameaçada por conta da repercussão do caso.
“Não vejo nenhuma necessidade da presença dela”, argumenta. “Ela não tem mais nada a acrescentar sobre o caso, já que foi interrogada e o depoimento está gravado e consta nos autos.”
Absolvida
Paula Caroline Ferreira Rodrigues já havia sido submetida ao Tribunal do Júri em dezembro de 2023, quando o Conselho de Sentença a absolveu da imputação do crime de homicídio.
Também na mesma sessão plenária, foi declarada a extinção da punibilidade quanto ao crime de ocultação de cadáver, em razão da prescrição, com base na pena concretamente projetada.
O julgamento, entretanto, foi anulado em abril do ano passado, após o acolhimento de recurso do Ministério Público, diante da contrariedade entre a decisão dos jurados e as provas constantes nos autos.
Organização
A sessão no Tribunal do Júri está marcada para começar às 9 horas. O julgamento inicia-se com os eventuais depoimentos da vítima, de testemunhas, seguidos do interrogatório do réu.
Depois, na fase de debates, acusação e defesa, nessa ordem, têm uma hora e meia para apresentar argumentos. Caso desejem, podem dispor cada um de mais uma hora de réplica e tréplica.
Crime
O fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, de 22 anos, foi encontrado morto na Prainha do Paquetá, em Canoas. Segundo o Ministério Público, o crime teria ocorrido em 28 de julho de 2015, por volta das 0h30min, nas proximidades das ruas Itu e Guarani, próximo à estrada de acesso à Prainha.
Conforme a denúncia, foram responsáveis pela morte a ré e Juliano Biron da Silva, com quem ela mantinha um relacionamento amoroso. Para a acusação, a mulher teria atraído o fotógrafo para um encontro, ocasião em que ele foi atingido por 19 disparos de arma de fogo.
Juliano foi apontado como o autor dos disparos e acabou condenado pelo Tribunal do Júri em 2020. A pena é de 18 anos de reclusão, em regime fechado.