O publicitário Ricardo Jardim, de 66 anos, conseguiu a visibilidade que queria: ganhou repercussão nacional ao se tornar o principal suspeito de um crime brutal contra uma namorada, que teve partes do corpo encontradas em diferentes regiões de Porto Alegre.
Uma delas, dentro de uma mala preta, de rodinhas, no guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre.
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Foto: Bruna Faraco/TJRS
No entanto, apesar da brutalidade do caso, o modus operandi não é novo, já que um crime semelhante teria servido como inspiração ao assassinato descoberto na capital gaúcha.
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O crime de 1928
Quase um século antes, o italiano Giuseppe Pistone escondeu o corpo desmembrado da esposa, a argentina Maria Mercedes Féa, grávida de 6 meses, dentro de uma mala que seria transportada do Porto de Santos, em São Paulo, à Itália. O caso teve repercussão nacional e ficou conhecido como Crime da Mala.
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O navio Massilia estava carregado para partir rumo ao território italiano em 5 de outubro de 1928 quando marinheiros perceberam que uma das malas, em forma de baú, estava suja de sangue. Documentos do Tribunal do Júri de São Paulo dão conta que Maria foi assassinada um dia antes do embarque, em um apartamento que dividia com o marido, com quem estava casada há cerca de um ano, na Rua da Conceição, na capital paulista.
Pistone era comerciante com uma condenação por estelionato. Assassino e esposa moravam com o dono de um negócio de vinhos e um parente distante de Pistone – quem ele pretendia aplicar um golpe.
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Desconfiada, a esposa escreveu uma carta à mãe relatando que duvidava das intenções do marido. Ciente do documento, decidiu matar Maria por esganadura.
No dia seguinte, o italiano comprou a mala para esconder o cadáver parcialmente esquartejado. As pernas foram cortadas com uma navalha. Duas caixas de pó de arroz foram jogadas na bagagem para disfarçar o cheiro.
O italiano foi condenado a 31 anos de reclusão por homicídio e profanação de cadáver em 1931. Chegou a passar por outros dois julgamentos já que a defesa sustentava a tese de morte natural. Pistone cumpriu parte da pena e acabou liberado em 3 de agosto de 1944.
Faleceu vítima de infarto em junho de 1956, após exercer o ofício de encadernador, que aprendeu na penitenciária. Maria Féa foi sepultada em Santos, no cemitério do Saboó.