Um dos casos mais enigmáticos registrados no Rio Grande do Sul em 2026 completou 50 dias. Trata-se do desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e dos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, em Cachoeirinha.

Foto: REPRODUÇÃO
Foi no dia 24 de janeiro que Silvana saiu de casa para encontrar um amigo em direção a Gramado. Os pais dela desapareceram no dia seguinte após saírem de casa para procurar a filha.
Na semana passada, foi mantida a prisão temporária do policial militar, ex-companheiro de Silvana, por mais 30 dias. Ele havia sido preso no dia 10 de fevereiro.
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O caso é tratado como um feminicídio seguido de duplo homicídio. Segundo a Polícia Civil, as buscas se concentraram em um sítio da família do ex-marido de Silvana, em Gravataí, e nas casas do irmão, da mãe e da atual esposa dele, em Cachoeirinha. Não houve localização de nenhum corpo.
“Não sabemos onde estão os corpos, mas as buscas continuam”, confirma o delegado Anderson Spier. “Desde o caso da Eliza Samudio, entretanto, existe o entendimento de que é possível o indiciamento sem a localização dos cadáveres, então não está descartada esta hipótese.”
Suspeita
Na noite do desaparecimento de Silvana, no dia 24 de janeiro, uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem.
O acidente nunca aconteceu e Silvana sequer esteve em Gramado, apontam as investigações. A mensagem era uma “cortina de fumaça” criada pelo responsável pela morte da vítima.
“Sabemos que alguém teve acesso ao aparelho celular da Silvana após o desaparecimento”, afirma o delegado. “A postagem acabou sendo usada para despistar o desaparecimento e impedir que alguém a procurasse.”
Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos ainda na noite de 24 de janeiro na casa da vítima. Um Volkswagen Fox vermelho esteve no imóvel sem explicação aparente.
“O carro chega, permanece no local por alguns minutos e vai embora, sem maior explicação”, comenta Spier. “Infelizmente, não conseguimos a identificação da placa do carro.”
Quanto ao casal Isail e Dalmira, desapareceram no dia seguinte ao sumiço de Silvana. Eles saíram de casa, conforme testemunhas, para procurar a filha e nunca mais foram vistos.
Os idosos seguiram para a residência do ex-genro. Em depoimento prestado como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, mas que ele não se motivou a procurar e eles partiram.
Motivação
O brigadiano prestou depoimento duas vezes. No primeiro, como testemunha, ele tratou de explicar sobre a rotina que mantinha com a ex-mulher, já que compartilhavam a guarda de um filho com 9 anos. Já no segundo depoimento, na última sexta-feira (20), permaneceu em silêncio.
Conforme o delegado, dias antes do desaparecimento, houve uma denúncia no Conselho Tutelar feita por Silvana contra o PM, que ignoraria as restrições alimentares do próprio filho.
“Eles tinham um filho em comum e existia uma tensão visível na relação”, explica. “As divergências na criação do menino, relacionadas à alimentação, comportamento e forma de dormir, pareceram piorar nos últimos meses.”
Sobre a morte dos idosos, não está descartada a hipótese de haver alguma compensação financeira, embora a polícia aguarde quebra do sigilo nas contas bancárias das duas vítimas.
“Eles possuíam o armazém e não eram ricos, mas não dá para descartar uma motivação por algum valor até este momento da investigação. É algo que estamos trabalhando ainda”, conclui Spier.