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ACIDENTE EM CANOAS

Mãe de motoboy morto atropelado desabafa: "Foi muito duro ler uma notícia e ver o nome do meu filho como vítima"

Franciele da Silva, 37 anos, soube pela internet que o filho, Guilherme Joaquim da Silva, 19 , acabou morto tragicamente

Publicado em: 03/02/2025 às 16h:01 Última atualização: 03/02/2025 às 17h:00
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Mãe de Guilherme Joaquim da Silva, Franciele da Silva, 37 anos, se mudou há um ano para Santa Catarina, mas não conseguiu convencer o filho a partir. Isso porque o jovem estava apaixonado por Lívia Jacobus de Medeiros, 19, e queria se casar. Ele morreu atropelado por um Citröen C4 em Canoas na última sexta-feira (31).

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Franciele da Silva segura o capacete usado pelo filho no momento em que acabou atingindo por um carro na última sexta-feira (31)



Franciele da Silva segura o capacete usado pelo filho no momento em que acabou atingindo por um carro na última sexta-feira (31)

Foto: PAULO PIRES/GES

“Saímos de Canoas quando a empresa do meu marido ficou debaixo d’água nas enchentes, mas ele queria ficar, porque namora a Lívia desde os 14 anos e não queria se afastar dela”, conta.

Foi graças à noiva que Silva conseguiu adquirir a Honda CG que usava para trabalhar como entregador de marmitas e lanches para serviços de iFood em Canoas. “Eu conversava com ele e só ouvia que estava feliz e fazendo o que gostava. Era um sonho dele andar de moto”, lembra. “Não dava para imaginar uma coisa assim acontecendo, porque nunca se envolveu com nada. Todo mundo gostava dele.”

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Franciele estava em casa no momento em soube que algo havia acontecido com o filho. Abriu a internet no celular e acabou encontrando relatos da morte por atropelamento. “Foi muito duro ler uma notícia e ver o nome do meu filho identificado como vítima”, lamenta. “Meu menino morreu e não pude fazer nada. Fiquei encarando o celular e vendo a imagem do corpo dele inerte no asfalto.”

Em ato de desespero ao retornar para Canoas, a mãe acabou indo até o local do acidente. Não havia mais ninguém no local, mas Franciele sentou na calçada. Cenas do acidente passaram por sua cabeça. “Eu tinha 17 anos quando engravidei e queria sentir ele uma última vez”, desabafa. “Ainda olho para o capacete ensanguentado do Guilherme e não acredito no que aconteceu. Meu menino não merecia isso.”

CONFIRA: O que se sabe sobre motorista que atropelou motoboy em Canoas; acidente gerou revolta

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Prisão preventiva

Preso em flagrante horas depois do atropelamento do trabalhador, Fernando Avila Molossi, 51, é professor de Física do campus Sapucaia do Sul do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul). Até então sem nenhuma ocorrência registrada contra ele, Molossi é acusado de perseguir e atropelar intencionalmente o motoboy, que estava em uma motocicleta Honda CG no momento do acidente.

Segundo a Polícia Civil, o Citroën C4 que era guiado pelo professor teria sido levado para uma oficina instantes após o crime. O objetivo de Molossi era consertá-lo o mais depressa possível, mas ele não conseguiu.

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VÍDEO: Motorista que provocou morte de motoboy foi flagrado em oficina instantes após fugir do local do atropelamento

A Brigada Militar (BM) achou o suspeito com o veículo na garagem de casa, horas depois, quando houve o flagrante. Imagens de câmeras de segurança auxiliaram no reconhecimento do carro, visto fugindo do local.

Durante audiência no último sábado (2), a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, o que deve garantir a permanência do suspeito preso atrás das grades por, pelo menos, 90 dias.

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“A defesa está tentando alegar que ele sofre por problemas psicológicos”, afirma o advogado da família da vítima, Rainer Mendonça. “Estamos lutando contra isso com todas as nossas forças. Este homem tem que permanecer preso.”

A reportagem tentou contato com a defesa de Molossi, mas ainda não foi possível. No sábado, sem um defensor, ele acabou se valendo da Defensoria Pública do Estado, fato confirmado pela assessoria de comunicação do órgão.

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Investigação

A Polícia Civil trabalha para concluir o inquérito. Conforme a delegada Graziela Zinelli, responsável pela DPHPP de Canoas, houve uma perseguição ao motociclista.

“Houve uma discussão no trânsito e, depois disso, ele [Molossi] passou a perseguir o motociclista até o atingir”, explica. “Chegou até a passar com o veículo por cima de uma parte da moto.”

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Se comprovada a intenção de causar o acidente, o caso fica definido como homicídio doloso de trânsito. Por ser considerado um crime mais grave, a pena para este tipo de crime é maior. O período de prisão pode variar de 6 a 20 anos de reclusão, conforme o Código Penal.

A companheira do motociclista, Lívia Jacobus de Medeiros, estava na garupa e sobreviveu ao acidente. Ela contou em detalhes o que aconteceu para a Polícia, que não teve dúvidas sobre a intenção do suspeito.

“Houve uma conversa antes e a vítima que sobreviveu chegou a perguntar para o motorista no carro o que ele queria e por que estava fazendo isso”, explica Graziela. “Ele não respondeu nada.”

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