Mãe de Guilherme Joaquim da Silva, Franciele da Silva, 37 anos, se mudou há um ano para Santa Catarina, mas não conseguiu convencer o filho a partir. Isso porque o jovem estava apaixonado por Lívia Jacobus de Medeiros, 19, e queria se casar. Ele morreu atropelado por um Citröen C4 em Canoas na última sexta-feira (31).
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Foto: PAULO PIRES/GES
“Saímos de Canoas quando a empresa do meu marido ficou debaixo d’água nas enchentes, mas ele queria ficar, porque namora a Lívia desde os 14 anos e não queria se afastar dela”, conta.
Foi graças à noiva que Silva conseguiu adquirir a Honda CG que usava para trabalhar como entregador de marmitas e lanches para serviços de iFood em Canoas. “Eu conversava com ele e só ouvia que estava feliz e fazendo o que gostava. Era um sonho dele andar de moto”, lembra. “Não dava para imaginar uma coisa assim acontecendo, porque nunca se envolveu com nada. Todo mundo gostava dele.”
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Franciele estava em casa no momento em soube que algo havia acontecido com o filho. Abriu a internet no celular e acabou encontrando relatos da morte por atropelamento. “Foi muito duro ler uma notícia e ver o nome do meu filho identificado como vítima”, lamenta. “Meu menino morreu e não pude fazer nada. Fiquei encarando o celular e vendo a imagem do corpo dele inerte no asfalto.”
Em ato de desespero ao retornar para Canoas, a mãe acabou indo até o local do acidente. Não havia mais ninguém no local, mas Franciele sentou na calçada. Cenas do acidente passaram por sua cabeça. “Eu tinha 17 anos quando engravidei e queria sentir ele uma última vez”, desabafa. “Ainda olho para o capacete ensanguentado do Guilherme e não acredito no que aconteceu. Meu menino não merecia isso.”
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Prisão preventiva
Preso em flagrante horas depois do atropelamento do trabalhador, Fernando Avila Molossi, 51, é professor de Física do campus Sapucaia do Sul do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul). Até então sem nenhuma ocorrência registrada contra ele, Molossi é acusado de perseguir e atropelar intencionalmente o motoboy, que estava em uma motocicleta Honda CG no momento do acidente.
Segundo a Polícia Civil, o Citroën C4 que era guiado pelo professor teria sido levado para uma oficina instantes após o crime. O objetivo de Molossi era consertá-lo o mais depressa possível, mas ele não conseguiu.
A Brigada Militar (BM) achou o suspeito com o veículo na garagem de casa, horas depois, quando houve o flagrante. Imagens de câmeras de segurança auxiliaram no reconhecimento do carro, visto fugindo do local.
Durante audiência no último sábado (2), a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, o que deve garantir a permanência do suspeito preso atrás das grades por, pelo menos, 90 dias.
“A defesa está tentando alegar que ele sofre por problemas psicológicos”, afirma o advogado da família da vítima, Rainer Mendonça. “Estamos lutando contra isso com todas as nossas forças. Este homem tem que permanecer preso.”
A reportagem tentou contato com a defesa de Molossi, mas ainda não foi possível. No sábado, sem um defensor, ele acabou se valendo da Defensoria Pública do Estado, fato confirmado pela assessoria de comunicação do órgão.
Investigação
A Polícia Civil trabalha para concluir o inquérito. Conforme a delegada Graziela Zinelli, responsável pela DPHPP de Canoas, houve uma perseguição ao motociclista.
“Houve uma discussão no trânsito e, depois disso, ele [Molossi] passou a perseguir o motociclista até o atingir”, explica. “Chegou até a passar com o veículo por cima de uma parte da moto.”
Se comprovada a intenção de causar o acidente, o caso fica definido como homicídio doloso de trânsito. Por ser considerado um crime mais grave, a pena para este tipo de crime é maior. O período de prisão pode variar de 6 a 20 anos de reclusão, conforme o Código Penal.
A companheira do motociclista, Lívia Jacobus de Medeiros, estava na garupa e sobreviveu ao acidente. Ela contou em detalhes o que aconteceu para a Polícia, que não teve dúvidas sobre a intenção do suspeito.
“Houve uma conversa antes e a vítima que sobreviveu chegou a perguntar para o motorista no carro o que ele queria e por que estava fazendo isso”, explica Graziela. “Ele não respondeu nada.”