Traficante considerado alvo prioritário da Polícia Civil gaúcha, Juliano Biron já retornou ao Rio Grande do Sul, onde cumpre pena em uma penitenciária não divulgada pelas autoridades.
A Polícia Civil informa que montou uma operação para garantir o regresso do criminoso, recapturado na Bolívia, na última quarta-feira (10), quando tentava renovar a carteira de identidade falsa.

Foto: Polícia Civil
Diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), o delegado Alencar Carraro explica que coordenou pessoalmente a ação para conduzir Biron ao sistema prisional.
Biron foi entregue à Polícia Federal por agentes bolivianos, na última quinta-feira (11), permanecendo 24 horas em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, até retornar ao RS na sexta-feira (12).
“Fui pessoalmente, acompanhado de dois agentes, garantir o retorno seguro de Biron até o sistema prisional gaúcho”, explica. “Trouxemos ele durante uma operação discreta, para não chamar a atenção”.
Carraro aponta que Biron é suspeito de movimentar uma fortuna em drogas e entorpecentes para o Rio Grande do Sul enquanto estava na Bolívia, razão pela qual acredita no impacto da organização sediada no Vale dos Sinos após a prisão do criminoso.
Mesmo sem citar os Manos, o delegado lembra que Biron acabou implicado em uma operação, envolvendo lavagem de dinheiro, que a Polícia descobriu ter movimentado mais de R$ 557 milhões.
“A última prisão preventiva decretada contra o Biron foi em dezembro de 2024, no âmbito da Operação Beatus”, recorda. “Sabemos que eles movimentaram mais de R$ 557 milhões em ativos na época”.
Já soma 33 anos de prisão
Chefe do tráfico durante anos de uma facção com sede no Vale dos Sinos, Biron possui um total de quatro condenações e estava foragido desde o ano passado.
Além do rumoroso caso envolvendo a morte do fotógrafo Gargioni, já possuía condenações por tráfico de drogas e entorpecentes, lavagem de dinheiro e roubo a uma agência bancária.
A lembrar, Biron recebeu uma pena de 20 anos e oito meses pelo homicídio de José Gustavo Bertuol Gargioni, durante o julgamento em 2020. Restam a ele cumprir 19 anos da sentença. Além disso, possui outras três condenações.
“Agora esperamos somente que ele permaneça preso e cumpra os 33 anos de sentença que acumula”, ressalta o delegado. “Além do caso de homicídio do fotógrafo, tem outras três condenações do Denarc”.
Crime que chocou Canoas
O fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, 22 anos, foi brutalmente assassinado na noite do dia 28 de julho de 2015, quando havia marcado um encontro com a amante após sair da academia.
Na época, foi comprovado que ela era namorada de Juliano Biron. O casal levou o fotógrafo até a Praia do Paquetá, onde Gustavo acabou dominado após ser agredido pelo traficante.
Conforme a apuração conduzida pela Polícia Civil, Gargioni foi torturado antes de ser morto com 19 tiros. O encontro, concluiu a Polícia, foi criado para atrair o jovem para uma armadilha.
Juliano Biron e a mulher acabaram presos, suspeitos do assassinato, após uma investigação complexa, que se valeu de imagem para evidenciar a participação de ambos no crime.
Biron acabou condenado pelo crime em 2020. A namorada, no entanto, acabou absolvida do crime durante sessão da 1ª Vara do Júri de Canoas organizada em dezembro de 2023.