Uma organização criminosa especializada em abastecer criminosos dentro de presídios com o uso de drones foi alvo de operação da Polícia Civil nesta quinta-feira (26).
O grupo utilizava drones de alta tecnologia para fazer as entregas aéreas, um esquema que, segundo a própria polícia, movimentava milhões de reais. Entre os itens que eram transportados estavam drogas e celulares.

Foto: Polícia Civil
A Justiça autorizou o cumprimento de 34 mandados de prisão preventiva e 34 de busca e apreensão. Até as 10h30 desta quinta-feira, 27 pessoas haviam sido presas. A ação policial aconteceu em Canoas, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Gravataí, Viamão e Alvorada.
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A investigação começou em julho de 2025. Na época, criminosos foram flagrados perto da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), com drones potentes, drogas e equipamentos de suporte. A partir dali, a polícia analisou dados dos aparelhos apreendidos e conversas dos suspeitos, descobrindo uma estrutura profissional.
Tecnologia a serviço do crime
O grupo era dividido em tarefas específicas. Havia técnicos focados apenas em comprar e modificar os drones para que voassem mais longe, carregassem mais peso e não fossem detectados. Outra parte da equipe cuidava da logística, preparando as cargas e escolhendo os melhores horários — geralmente na madrugada — para evitar a polícia.
Os registros de voo mostraram que o bando usava pontos de decolagem fixos perto de presídios em Charqueadas e Canoas. As conversas analisadas revelaram que os pilotos tinham domínio técnico sobre altitude e condições do vento, tratando o crime como uma verdadeira empresa.
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Foto: Polícia Civil
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Conexão entre rua e presídio
O esquema era comandado de dentro das cadeias por detentos que pediam as mercadorias e organizavam a distribuição interna. Como um celular ou uma porção de droga vale muito mais dentro do presídio do que na rua, o lucro era enorme.
“Tal dinâmica demonstra a integração funcional entre os investigados em liberdade e os indivíduos custodiados, caracterizando organização criminosa estruturada nos termos da legislação vigente”, pontua a delegada Ana Flávia Leite.
A inteligência financeira da polícia descobriu que a quadrilha movimentou milhões de reais, usando contas de terceiros para esconder o dinheiro. Parte desse lucro era reinvestido na compra de drones ainda mais caros e modernos.

Foto: Polícia Civil
“O objetivo da operação é cortar o fluxo de materiais ilícitos para o sistema prisional e punir os responsáveis pela logística aérea do tráfico”, finaliza a delegada.